sexta-feira, 20 de julho de 2007

Quando o argumento é o "dos comunistas"...

«Depois de ter sido questionado sobre vários «casos» de afastamentos e nomeações na administração pública que PCP e Bloco de Esquerda consideram ter tido interferência do Governo, o primeiro-ministro respondeu com críticas ao PCP.

«Durante dois meses o seu partido organizou manifestações contra mim, nem teve a decência de respeitar o Congresso do PS», criticou José Sócrates. De acordo com o primeiro-ministro, em jantares e reuniões partidárias da campanha interna para a liderança dos socialistas «lá estavam os mesmos militantes comunistas» a apupá-lo.» in
Portugal Diário

O homem tem razão, ninguém gosta de andar sempre a ser apupado, muito menos por comunistas. A ilustrar a queixa de José Sócrates, no video abaixo, o Estádio da Luz apinhado de comunistas, mesmo comunistas. Para comprová-lo, note-se como vaiaram não apenas Sócrates, como também a Estátua da Liberdade, símbolo da América.
Pelo menos desta vez, Sócrates não mentiu. Só não percebi o que é que apupos têm que ver com afastamentos e nomeações na Administração Pública. Mas isso, são outros quinhentos.

Portugal pelo bom caminho

Novas regras na contratação pública

«Com as novas regras da contratação pública ganham as finanças do Estado e ganha a moralidade na concorrência entre as empresas.

Até agora, aos olhos de todos e com plena impunidade, era possível ganhar concursos para execução de obras apresentando valores baixos e prazos curtos que nunca seriam respeitados. Seguiam-se depois as inevitáveis derrapagens financeiras (por vezes para o triplo), com o escandaloso dispêndio de milhões e milhões de euros pagos pelo Governo central ou pelas autarquias para tentar salvar aquilo que estava desde o início destinado a correr mal. Acabam-se assim, nas empreitadas públicas, a falta de transparência, a imoralidade e o despesismo. O novo Código dos Contratos Públicos, que entrará em vigor já em 2008, fixa em 5% sobre o preço do caderno de encargos o limite dos desvios que possam ocorrer durante os trabalhos.

Só é pena que tenha de ter sido a União Europeia a impor esta medida, quando, pelas suas muitas vantagens, devia ser da mais banal iniciativa de qualquer Governo.» in
DN

Vai uma aposta que ainda haveremos de ver alguém a reclamar para si a iniciativa legislativa desta medida?

Solidariedade Social

«Os mais de 2500 professores, pertencentes aos quadros de várias escolas do País, que sofrem de doenças consideradas incapacitantes e até agora definidas como protegidas, ou seja, que não implicavam a marcação de faltas ao serviço, vão ser colocados, em Setembro, no quadro da mobilidade especial da Função Pública.» in CM

Quem não produz tanto como já produziu, não importa que já tenha produzido: para casa com eles. Esta é a visão de solidariedade social do novo socialismo reformista. Comer a carne que, depois, há-de haver quem roa os ossos.

Flexiportugal

«Oito em cada dez novos precários estão no Norte
Região recebeu 111 mil dos 130 mil novos trabalhadores sem vínculo definitivo existentes desde o ano 2000. (…)

No ano 2000, 1,380 milhões de pessoas tinham um contrato a termo ou trabalhavam contra recibo verde, pelo que 27% dos trabalhadores estavam precários. Seis anos mais tarde, o número tinha subido para 1,511 milhões (29% do total do emprego). Já o Norte passou de 400 mil registados pelo Instituto de Estatística em 2000 para 511 mil, no final de 2006 - um aumento muito superior ao do resto do país. Note-se que este é o número total de pessoas com vínculos instáveis, que tanto podem ser novos trabalhadores como empregados fixos que perderam o vínculo e passaram a ser precários. A este ritmo, dentro de alguns anos, o Norte passará a ter o maior número de precários, lugar hoje ocupado pelo Centro, onde quatro em cada dez trabalhadores não tem um vínculo fixo.» in
JN

Tradução para socratês: estamos atentos e implementaremos um novo código de trabalho que permita a todas as regiões do país atingirem o nível de competitividade da zona centro, a mais moderna do país no que diz respeito a flexibilidade laboral e, como tal, um exemplo de competitividade. Complemntaremos a medida com a flexiflexiflexiflexigurança, queremos ser o melhor aluno da União europeia e desde já apelamos à compreensão de todos os portugueses para mais este esforço reformista de modernização do nosso país, rumo aos desafios da globalização.
O retrato do Portugal flexi, que se quer flexiflexiflexi, continua
«A Segurança Social autorizou, no primeiro semestre deste ano, cerca de 90 mil pedidos de subsídio de desemprego, o que representa um aumento de 17% face ao mesmo período de 2006. Desde 2004, a tendência que se verificava era precisamente a inversa, com o número de novos subsídios atribuídos a cair 6% em 2005 e 27% em 2006.

Estes números do Instituto de Informática do Ministério do Trabalho vêm contrariar as leituras apressadas de redução significativa do desemprego feitas a partir do número de inscritos nos centros de emprego.


E cruzando o conjunto das novas inscrições nos centros de emprego com o dos novos beneficiários do subsídio de desemprego, constata-se que apenas um terço dos que perderam o emprego acederam ao subsídio de desemprego. O cruzamento entre estes dois conjuntos de desempregados - que poderá pecar pelo pequeno hiato temporal que separa o momento da inscrição no centro de emprego e o da autorização do subsídio - vem, de resto, corroborar os dados do INE que revelam que dois terços dos desempregados não recebem nenhum apoio pecuniário da Segurança Social.» In
DN

Dicionário europês-português

Em europês: “Bruxelas aconselhou os homens a assumirem mais tarefas domésticas para ajudar a eliminar o fosso salarial latente entre homens e mulheres europeus.

Em português: “Queridinha, meu amor. Tu ganhas menos que eu e, por isso, vou passar a lavar a louça e o rabinho aos miúdos, para ver se o teu patrão te aumenta.

Orelhas de Burro