Acendi a televisão. Era um programa, imparcial, sobre as eleições em Lisboa. Prometia. O convidado para fazer os comentários era o sociólogo Manuel Vilaverde Cabral. Em fundo, o comício do vencedor anunciado, António Costa. Depois, o comício de António Costa e em fundo, os comentários de Vilaverde Cabral. Depois, cada vez mais em fundo, os comentários e análises de Cabral e o comício de António Costa, com o convidado especial José Sócrates. E depois de 20 minutos assim passados, apaguei a televisão, sem ver nada sobre qualquer dos outros candidatos.
Foi assim a semana nos media, foi assim a campanha. Uma formiga atropelada por atravessar a rua fora da passadeira e lá aparecia António Costa a dizer das suas sobre formigas e, claro, sobre trânsito. Em fundo, um ou dois dos demais candidatos, afinal os media são plurais e independentes. Duas pombas soltaram três valentes caganitas sobre o cabelo de uma senhora “bem” no Marquês, que berrava que nem uma capada ao ver o estrago sobre o seu penteado magnífico, notícia choque de silly season de um qualquer jornal radiofónico, e lá aparecia, por coincidência, António Costa a dizer das suas sobre pombas e, claro, sobre problemas ambientais em Lisboa. Em fundo, um ou dois dos demais candidatos. Costa, inevitavelmente, não fosse ele o vencedor. Costa, o vencedor, não fosse ele o inevitavelmente escolhido por rádios e televisões. Já ganhou, vai ganhar.
Foi assim a semana nos media, foi assim a campanha. Uma formiga atropelada por atravessar a rua fora da passadeira e lá aparecia António Costa a dizer das suas sobre formigas e, claro, sobre trânsito. Em fundo, um ou dois dos demais candidatos, afinal os media são plurais e independentes. Duas pombas soltaram três valentes caganitas sobre o cabelo de uma senhora “bem” no Marquês, que berrava que nem uma capada ao ver o estrago sobre o seu penteado magnífico, notícia choque de silly season de um qualquer jornal radiofónico, e lá aparecia, por coincidência, António Costa a dizer das suas sobre pombas e, claro, sobre problemas ambientais em Lisboa. Em fundo, um ou dois dos demais candidatos. Costa, inevitavelmente, não fosse ele o vencedor. Costa, o vencedor, não fosse ele o inevitavelmente escolhido por rádios e televisões. Já ganhou, vai ganhar.
