quinta-feira, 5 de julho de 2007

"Sicko" e os efeitos da privatização da saúde no país mais rico do mundo

Michael Moore está de volta e o país mais rico do mundo descobre que o seu sistema de saúde não corresponde às necessidades das suas populações: os mais pobres não têm assistência e os mais ricos são vistos apenas como uma fonte de lucros pelos sistemas privados de saúde, que se escapam por todos os meios para não pagarem despesas, à semelhança do que acontece em Portugal com os seguros do ramo automóvel.

Deixo-lhes o
trailer e a 2º parte da reportagem do programa “nightline” sobre o novo filme de Moore, “SICRO”, que promete polémica não apenas nos Estados Unidos, mas também em países como Portugal, onde ganham força os defensores da implementação de um sistema semelhante ao que os americanos verificam que não serve a ninguém mais que às seguradoras.
So, Mr. Correia de Campos, Mr. José Sócrates, BES Saúde & other friends., here come bad news!

Sobre boys, para variar

Este artigo do Público é sintomático e bastante ilustrativo do que se passa actualmente na Administração Pública em Portugal, a sua instrumentalização por parte dos partidos que se revezam no poder.
Logo a abrir, no título, pode ler-se “PS considera normais nomeações em sub-região de saúde tendo em conta os resultados eleitorais”, como se as eleições servissem também para sufragar os dirigentes da Administração Pública que, está visto, servem mesmo. E independentemente quer do perfil e das qualificações dos nomeados, quer do partido que esteja no poder: «Na resposta às intervenções iniciais da oposição e num tom emotivo, o deputado socialista Ricardo Gonçalves, eleito pelo círculo de Braga, devolveu as críticas, acusando o PSD de “levar o amiguismo ao extremo” quando está no poder e lembrando o CDS-PP de que chegou a nomear “um engenheiro electrotécnico para director do Centro de Saúde da Póvoa do Lanhoso.”»

Deve ter sido uma sessão bastante animada, nem o toque de peixeirada lhe faltou: «A resposta do deputado comunista Bernardino Soares, que ironicamente disse ter ficado na dúvida sobre se a comissão não deveria antes ouvir o deputado Ricardo Gonçalves em vez do ministro da Saúde, por conhecer tão pormenorizadamente o caso, acabou por motivar um dos momentos mais quentes do debate. “Respeite a política, respeite esta casa”, avisou Ricardo Gonçalves num tom exaltado, motivando a intervenção de outros deputados socialistas para que se acalmasse.»

Resultados, apenas o ruído e a certeza de que os novos nomeados terão bastante cuidado com os cartazes expostos nos seus novos domínios senhoriais. Sobre a indispensável reforma da AP, uma reforma a sério, sem boys nomeados e com dirigentes de carreira, nem pio. Vamos continuar a assistir a uma argumentação que justifica o despautério de nomeações que se verificam actualmente baseado no “vocês também fizeram” e no “os nossos são mais competentes”, sem que se diga em quê mais que a cor do cartão partidário ou, talvez, medido em número de cartazes ou comentários jocosos detectados por serviço, daqueles que possam não agradar ao dono. Assim é que se mostra serviço, assim é que Portugal “abraça o futuro e dá o salto para um mundo Global”. (Gostaram do G maiúsculo? Agora estive bem, não estive?)
Um pouquinho deste festival aqui.

Tudo perfeitamente normal

«Depois de dois casos de professores que morreram com cancro no activo
Ordem dos Médicos propõe formação específica para clínicos das juntas médicas.»

A iniciativa é, ao que parece, exclusivamente da Ordem dos médicos. Não se vislumbra, nem no artigo, nem fora dele, qualquer alusão à mais mínima preocupação do Ministério da Educação pelo sucedido. Considerarão que não haverá nada de anormal em dois casos de professores doentes terminais terem sido considerados aptos para o serviço, falecendo depois no activo.

Se não quiserem devolver, poderão pedir para sair da UE?

«O Governo poderá ter de devolver mais de 1,8 mil milhões de euros aos proprietários que compraram carros novos nos últimos oito anos por cobrar IVA "em cima" do extinto Imposto Automóvel e do novo Imposto sobre as Viaturas, ISV. As Finanças mantêm-se em silêncio e estão em contacto com Bruxelas, mas a Deco prepara-se para aconselhar os consumidores a "recuperar os recibos" que provam o pagamento das viaturas.
(…)
O recurso aos tribunais "é uma possibilidade", afirma o secretário geral da Deco, "podendo ser concretizada através de uma acção colectiva, acção popular". O reembolso do IVA "teria de ser efectuado com juros", defende a Deco. "É este o tipo de relação que o Estado tem com os cidadãos, já que também cobra dívidas acrescida de juros", justifica. A devolução com juros não recolhe a unanimidade entre os juristas. O fiscalista Tiago Caiado afirma que o Estado poderá esquivar-se ao pagamento de juros sobre os reembolsos. Para o Estado estão em causa mais de 1,8 mil milhões de euros, cerca de 1,2% do PIB - aos preços actuais. (…)» in Diário de Notícias

O Diário Económico traz hoje um artigo com o título sugestivo “Como pode recuperar o IVA do seu carro”. Fica a referência e o link.