Depois da campanha que tem sido movida junto da comunicação social a favor da “flexigurança”, terá lugar amanhã a apresentação das propostas preliminares da comissão que estuda as mudanças na lei laboral portuguesa. Tendo em conta a estimativa da Comissão Europeia quanto aos custos da implementação de um sistema capaz de dar aos trabalhadores portugueses um nível de protecção social equivalente ao que têm os trabalhadores dos países onde o sistema foi implementado (Holanda, Dinamarca e Suécia), de 4,2 mil milhões de euros por ano – dava para construir o novo aeroporto - e conhecendo-se as políticas do socialismo reformado/ista de José Sócrates, direccionado para os sacrifícios, não será difícil antever propostas com um pendor preponderantemente flexi, que articulem o modelo de competitividade baseado na precariedade, moderno e flexível, com o tradicional “a nossa segurança social não o permite”. E, realmente, não o permite, nem pode permiti-lo: a taxa de IRC que se pratica naqueles países aproxima-se dos 50%, mais do dobro da portuguesa.
A surpresa deverá então residir na imaginação utilizada pela equipa para fundamentar a implementação por decreto de um sistema que é fruto de uma evolução social de décadas e que funciona em países com um tecido social completamente diferente do português, com uma população muito mais qualificada e, como se viu atrás, com as empresas a financiarem o estado social.
A certeza estará, então, no entusiasmo da recepção das propostas por parte do Governo, estou certo que os elementos da comissão uma a um tudo terão feito para agradar e merecerem a confiança em si depositada, sob pena de não serem escalados para futuros trabalhitos.