quarta-feira, 20 de junho de 2007

A nossa saúde

«Quem é mais pobre paga cada vez mais pela generalidade dos serviços de saúde do Estado. Essa tendência está demonstrada num relatório realizado há quatro meses por um grupo de trabalho nomeado pelo Governo para estudar soluções para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS). As taxas moderadoras pouco ou nada adiantam, representando 0,77% da despesa total de saúde. Por outro lado, especialidades como Estomatologia, Ginecologia, Oftalmologia ou Cardiologia têm vindo a desaparecer do SNS em benefício dos privados.
(…)
Em pouco mais de duas décadas, Portugal duplicou o peso dos gastos públicos com saúde face ao PIB (3,6% em 1980 para 7,2% em 2004). Este fenómeno aconteceu apesar do surgimento e proliferação dos seguros de saúde do sector privado. Aliás, os autores dizem que as deduções fiscais dos prémios daqueles seguros só tem resultado num aumento da despesa do Estado. No relatório, lê-se que este se trata de um sector lucrativo que tem mostrado pouco interesse em cobrir populações de risco ou oferecer produtos para cobertura integral ou alternativa ao SNS. Os seguros têm, por seu lado, possibilitado o acesso rápido a consultas de especialidades que estão cada vez mais ausentes do SNS. » (ler artigo completo no
Jornal de Notícias)

«Para além da redução dos benefícios fiscais dados à Saúde em sede de IRS, do aumento anual das taxas moderadoras e da revisão do regime de isenções, o relatório recomenda a extinção dos subsistemas públicos de saúde, com a ADSE à cabeça, ou pelo menos que deixem de ser financiados pelo Orçamento de Estado.»

Vale a pena ler o resto deste “O Relatório Secreto do SNS (Mais um)”, no blog “
Fragmentos de Apocalipse”, que salta para a coluna da direita.

Na agenda do dia

Marcada na agenda do dia de hoje está a fase final de “negociação”, entre Governo e sindicatos, do novo SIADAP – Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho para a Administração Pública, cuja implementação visa promover o mérito e a excelência. No novo sistema os avaliadores, nomeados por critérios político-partidários e não por critérios de mérito ou competência técnica, avaliarão precisamente o mérito e as competências técnicas dos funcionários públicos de carreira, seus avaliados. À falta de melhor, adivinha-se que no processo de avaliação de 2008 vai ser sistemático o recurso ao bom senso, que se ensina na Universidade do Bom Senso. Ingresso apenas disponível para dirigentes.

Um mundo mais desigual

Fonte: OCDE
O gráfico compara as desigualdades em 1995 (assinalada na base da barra correspondente a cada país) e a situação em 2005 (assinalada no vértice de cada barra). Quanto mais acima se situe uma barra, maior o índice de desigualdade nesse país, medida pelo rendimento dos 10% mais ricos na população dividido pelo rendimento dos 10% mais pobres (por exemplo, se o índice for 5, isto significa que os 10% mais ricos auferem um rendimento 5 vezes superior aos 10% mais pobres).
Como pode verificar-se no gráfico, apenas na Irlanda e em Espanha não houve crescimento das desigualdades, o que traduz um modelo de desenvolvimento assente em indústrias baseadas no know-how e não em salários baixos.
Será por isto que, ao contrário do que acontece em Portugal, os centros comerciais e as baixas das cidades espanholas não estão transformadas em cemitérios de lojas?

«As simples coisas da memória»

«A Loja das Meias era o espaço dos ricos e a montra dos pobres. Vai fechar no final de Agosto. O Rossio está lentamente a desaparecer, tal como o conhecemos. E o halo romântico que conferia à praça o encanto contagiante de ser um lugar de encontro tornou-se pálido e difuso. N'O Cavalo Espantado, belo romance de Alves Redol, o Rossio é-nos narrado como uma espécie de território de liberdade, para os judeus fugidos do nazismo. E os miúdos dos bairros, atraídos pelos esplendores do proibido, por ali passeavam os seus assombros, observando as pernas e os decotes dessas mulheres que vinham de longe, desenvoltas e soberbas, a fumar e a conversar na esplanada da Suíça.»

Vale a pena ler o resto deste artigo de Baptista Bastos, no
DN

More AND better jobs

«Em vez de considerarem a globalização uma ameaça, os governos da OCDE deveriam centrar-se em melhorar a regulação laboral e os sistemas de protecção social, para ajudar as pessoas a adaptarem-se às mudanças nos mercados de trabalho» in Annual Employment Outlook (OCDE)
O relatório chama a atenção para as desigualdades crescentes, para situação na China e na Índia, para a necessidade de melhoria nos sistemas de educação, para o desemprego que resulta do recurso crescente ao outsourcing. (ouvir)
Quanto às semelhanças entre as soluções propostas no relatório e o discurso ofícial que se faz para consumo doméstico, a coincidência apenas se verifica quanto à política de educação que, na prática, fora do discurso, se opera através de uma revolução na valorização ortográfica, gramatical e na promoção da matemática a ciência inexacta. Tudo a bem dos indicadores de sucesso.

Suspeita de raticídio na Boa Hora

«Os juízes da 4ª Vara Criminal do Tribunal da Boa Hora, Lisboa, solicitaram a intervenção do Director-Geral da Saúde (DGS) e do Inspector-Geral do Trabalho (IGT) por ter sido encontrado «um rato em estado de decomposição» num gabinete, escreve a Lusa.

No requerimento dirigido ao DGS e ao IGT e a cujo teor a Agência Lusa teve acesso, os magistrados referem que o rato morto foi descoberto numa peça de vestuário (cachecol) que se encontrava dobrado numa prateleira da mesa do computador.» in
Portugal Diário

Não vem na notícia, mas o PB está em condições de avançar em primeira-mão que o relatório médico das investigações da PJ, motivadas por queixa anónima que levantou a suspeita de raticídio, revela que o rato em causa faleceu por ingestão de papel fora de prazo, proveniente de processos prestes a prescrever.

Curtas: "A alma do negócio"

A vossa atenção para este filme, um guia prático de como ser feliz.


Fácil! Agora que o viu, questione-se. Como diabo é possível haver gente que se queixe da vida?