segunda-feira, 4 de junho de 2007

A cura



Para a posteridade, fica o refrão:

Sai, sai, sai
Sai do meu caminho
Eu ando com Jesus
E Satanás anda sozinho!

¿Adelante? Não, para trás!

«Dois exemplos: o salário médio galego já vai nos 1240 euros, o dobro da Região Norte, que se fica pelos 635 euros. A taxa de desemprego da Galiza desceu para o nível mais baixo dos últimos 25 anos, enquanto no Norte continua a subir e a bater recordes pela negativa.» In Jornal de Notícias

Por cá, os salários baixam, a precariedade aumenta e aumenta o desemprego. Passa-se a fronteira, aumentam os salários e baixa o desemprego. E não, não é nada do que o leitor está a pensar. A culpa não é do D. Afonso Henriques, ele fez o que tinha a fazer. A culpa é de um povo que não reage, cego, frouxo. Um povo que, pelo voto ou ficando em casa, permitiria que se as eleições fossem hoje, o Governo dos sacrifícios, da moderação salarial e das promessas vazias fosse reeleito.

Um caso de Saúde Mental

«O número de pessoas em contacto com os serviços públicos (168 389 em 2005) mostra que só uma pequena parte das pessoas com problemas de saúde mental têm acesso aos serviços públicos especializados”, lê-se no relatório da Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental, já disponível no Portal do Governo. Segundo a comissão, “o número de contactos é ainda extremamente baixo em relação ao que seria de esperar”, até porque “pelo menos cinco a oito por cento da população sofre uma perturbação psiquiátrica de certa gravidade em cada ano”.

Para António Leuschner, director do Hospital Magalhães Lemos, no Porto, e membro do núcleo executivo da comissão, “os estudos existentes sobre a saúde mental não são vastos e rigorosos”, pelo que foi preciso fazer uma “extrapolação” e comparar com as “taxas que se verificam em países com o mesmo grau de desenvolvimento e cultura”. “Nesses países o número de pessoas que frequenta os serviços na área da psiquiatria ronda os cinco por cento”.

Por cá, “o total de utilizadores dos serviços públicos de saúde mental situa-se em 1,7 por cento da população continental”. Em termos práticos, sublinha o psiquiatra, entre os 500 mil portugueses com perturbações graves “estão pessoas que podem necessitar de internamento e não têm acesso”.«

Dadas as insuficiências do sistema, seria de esperar uma sua expansão, aumentando o número de centros apetrechados para dar uma assistência especializada condigna. Mas isso seria num país normal, com um Governo normal. Nós temos José Sócrates e Correia de campos.

«TRÊS DOS SEIS HOSPITAIS FECHADOS ATÉ 2012

O relatório da Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental propõe, até 2012, a concentração das “respostas prestadas pelos hospitais psiquiátricos em Lisboa, Porto e Coimbra num único hospital” por cidade. Segundo a comissão, o Hospital Júlio de Matos, o Magalhães Lemos e o Sobral Cid são as três estruturas que “parecem reunir as melhores condições para o efeito”, elemento que aponta para o encerramento do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, e de dois hospitais em Coimbra.

O objectivo da comissão é pôr em prática um modelo de proximidade no atendimento, através do desenvolvimento dos serviços locais de saúde mental. (…) » In
Correio da Manhã
Proximidade? E fecham serviços? Decididamente, isto é um caso de saúde mental.

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«Ha-Joon Chang (n.1963) é um economista de combate de origem sul-coreana que é hoje professor na Universidade de Cambridge. É um dos mais relevantes economistas políticos do desenvolvimento da actualidade. Na sua já vasta obra tem procurado mostrar através de rigorosas análises históricas que as chaves para o desenvolvimento económico dos países não estão no célebre, mas fracassado, «Consenso de Washington». Este «Consenso de Washington» feito de desregulamentação, de definição estrita de direitos propriedade privados sobre tudo, de liberalização de todos os fluxos de capitais e de mercadorias resultou, sempre que foi aplicado em toda a sua extensão, em catástrofe económica e social.Chang foi um dos economistas que contribuiu para desfazer o mito de que «o milagre asiático» teria assentado nas políticas neoliberais que o consenso teria apenas sistematizado. Através de uma análise histórica e institucional detalhada, focada no caso da Coreia do Sul, mostrou que o seu «modelo» assentou num importante envolvimento do Estado na afectação de recursos, o que na literatura aparece associado à noção de «Estado desenvolvimentista». O governo favoreceu deliberadamente o desenvolvimento de grandes conglomerados industriais (conhecidos na Coreia por chaebol e que acabaram por dominar os mercados interno e de exportação)através de uma política industrial vigorosa cujo objectivo básico era modificar a matriz dos preços e dos incentivos que as empresas enfrentavam na direcção preferida pelo governo que para eles canalizava os elevados investimentos públicos realizados em investigação tecnológica aplicada. A aposta central era a inserção estratégica destes grupos na economia mundial o que se traduziu na implementação selectiva de controlos sobre determinadas importações para proteger sectores industriais emergentes (proteccionismo selectivo). Esta inserção na economia mundial não envolveu durante muito tempo o sistema financeiro que estava submetido a um apertado controlo por parte do governo, sobretudo no que dizia respeito às operações financeiras com o exterior e que era alicerçado numa participação activa do Estado na concessão de crédito através de bancos públicos. Este foi o modelo que esteve e ainda está na base do «milagre asiático». Violou e ainda hoje viola quase todas as prescrições neoliberais.Num dos seus livros mais recentes e mais celebrados, Kicking Away the Ladder (Derrubando as Escadas do Desenvolvimento), Chang alargou a sua análise e defendeu convincentemente que «quando os países desenvolvidos, como a Grã-Bretanha e os EUA, ainda estavam em desenvolvimento, não implementaram nenhuma das políticas de livre comércio que agora preconizam. O seu avanço tecnológico foi garantido por políticas protecionistas». Ha-Joon Chang é assim um crítico impiedoso da hipócrita ideia de que existe uma trajectória única de desenvolvimento assente num conjunto de instituições prescritas pelas instituições internacionais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional ou a Organização Mundial do Comércio. Controladas pelos países mais ricos, estas organizações pretendem impor aos países menos desenvolvidos soluções que os seus governos fazem bem em evitar. Soluções que reduzem a sua margem de manobra para forjar políticas públicas de desenvolvimento.»