Os dados do desemprego divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística são os piores dos últimos 21 anos, só encontram paralelo no longínquo ano de 1986, o ano da adesão à então CEE. Mas se os números já por si configuram um cenário negro, a forte subida dos 7,4% no 3º trimestre de 2006 para os 8,2% registados no final do ano pioram-no ainda mais. Não obstante o exposto, a reacção do Governo surpreende, tanto pela ligeireza da sua abordagem, como ainda pelas soluções apresentadas.
“Confrontado com os dados do INE, o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, José Vieira da Silva, considerou que o aumento do desemprego no quarto trimestre «é um momento e não uma tendência».”
São 445 portugueses que ficam diariamente sem trabalho, nada de preocupante, apenas um momento. A deslocalização de empresas é, então, um momento e não uma tendência. Ainda no momento de Vieira da Silva não estarão incluídos, por exemplo, os 1200 trabalhadores despedidos da OPEL, os trabalhadores da GESTNAVE a quem este Governo propôs a rescisão por “mútuo” acordo ou os 3000 e tal estagiários da função pública que este Governo de esquerda reformista se prepara para dispensar.
A tendência deverá estar, então, nas soluções apresentadas. A tendência será o combater do desemprego com mais desemprego, basta a palavra mágica do momento: flexigurança. Ela estará sobre a mesa das negociações amanhã em sede de conselho de ministros do emprego da União Europeia. Os representantes dos estados-membro deverão subscrever as recomendações da Comissão Europeia para aprofundar a chamada Estratégia de Lisboa, o que, no caso português, passa por uma reforma da legislação laboral de modo a facilitar os despedimentos individuais. "Os trabalhadores têm de ser capazes de mudar facilmente e com confiança de um emprego para outro", disse o comissário europeu Vladimir Spidla, esta é a solução oficial da União para responder aos desafios da globalização, os números para ele são também apenas um momento. Abracadabra! Um passe de mágica e o Ámen português. Bastará acreditar.
“Confrontado com os dados do INE, o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, José Vieira da Silva, considerou que o aumento do desemprego no quarto trimestre «é um momento e não uma tendência».”
São 445 portugueses que ficam diariamente sem trabalho, nada de preocupante, apenas um momento. A deslocalização de empresas é, então, um momento e não uma tendência. Ainda no momento de Vieira da Silva não estarão incluídos, por exemplo, os 1200 trabalhadores despedidos da OPEL, os trabalhadores da GESTNAVE a quem este Governo propôs a rescisão por “mútuo” acordo ou os 3000 e tal estagiários da função pública que este Governo de esquerda reformista se prepara para dispensar.
A tendência deverá estar, então, nas soluções apresentadas. A tendência será o combater do desemprego com mais desemprego, basta a palavra mágica do momento: flexigurança. Ela estará sobre a mesa das negociações amanhã em sede de conselho de ministros do emprego da União Europeia. Os representantes dos estados-membro deverão subscrever as recomendações da Comissão Europeia para aprofundar a chamada Estratégia de Lisboa, o que, no caso português, passa por uma reforma da legislação laboral de modo a facilitar os despedimentos individuais. "Os trabalhadores têm de ser capazes de mudar facilmente e com confiança de um emprego para outro", disse o comissário europeu Vladimir Spidla, esta é a solução oficial da União para responder aos desafios da globalização, os números para ele são também apenas um momento. Abracadabra! Um passe de mágica e o Ámen português. Bastará acreditar.
