Felgueiras, Gondomar, Leiria, Marco de Canaveses, Oeiras, Lisboa, etc, etc. Futebol, negócios imobiliários, peculato, branqueamento de capitais, suborno, fraude fiscal, abuso de poder, favorecimento. Numa palavra: corrupção. A corrupção que varre o Portugal profundo chega à grande capital, com os mesmos traços dos restantes casos mas com um mediatismo aumentado à escala, tanto por se tratar da maior câmara do país, como pela desorientação que provocou numa oposição apanhada de surpresa e sem nomes de eventuais candidatos para avançar no caso da convocação de eleições antecipadas, quer ainda pelo desespero de um Marques Mendes ciente de que se perder a CML perde também a liderança do PSD. Ao largo, Ricardo Sá Fernandes, o homem que despoletou todo o processo, à espera das inevitáveis eleições antecipadas e de um score eleitoral histórico para o Bloco de Esquerda, de dimensões que ninguém ousa ainda projectar. Por fim, indiferente a esta onda, um PS que estuda uma descentralização baseada no reforço do poder autárquico.
O espectáculo vai, seguramente, continuar. No PSD, o do desnorte de uma liderança com fim para breve, que não hesitou em lançar à fogueira o cordeiro para proteger o lobo quando urgia arranjar um culpado rapidamente. No PS, o acotovelar das facções às corridinhas para arranjar rapidamente um candidato que dê garantias de poder vir a conquistar a praça lisboeta, um feudo importante que escapou ao poder absoluto rosa e que, a avaliar pelos nomes que tenho visto na imprensa, sairá de um lote de figuras a quem ainda não se ouviu palavra sobre o tema. Mas tudo isto serão mais curiosidades de um sistema, já de si, bastante curioso.
