quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

É o que está a dar

O negócio do ramo imobiliário deixou de dar, tanto é que surge a necessidade de fazer saldos (de 50%, ver aqui). O que está mesmo a dar agora são os seguros (ver aqui). Isto é mesmo o que vai dar, com a privatização dos serviços de saúde. Quem ficará ganhar? As criancinhas, é óbvio.

«Quanto mais tempo é necessario para acordar?»

«Portugal precisa ter uma legislação laboral mais flexível, que facilite os despedimentos individuais. Esta é uma das principais conclusões do relatório da OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico – ontem divulgado.»

Uma ideia a repetir tantas vezes até ser confundida com a verdade é esta, a da imperiosa necessidade de mais “flexibilização” laboral. É apresentada sempre desta forma acrítica e citando uma entidade estrangeira, supostamente insuspeita, grande, que diz aos portuguitas o que fazer, o único caminho para o desenvolvimento. E os portuguitas vão-no aceitando, cada vez mais, afinal foi a OCDE, a UE, etc que disse, eles lá fora e que sabem o que é bom para nós. Os jornalistas, em grande parte já flexibilizados, a recibo verde, limitam-se a debitar este chorrilho de desinformação que o portuguita adora. Poucos são os que ao ler se questionam: Mas isto não é o que tínhamos antes do 25 de Abril e que nos fez um dos países mais atrasados da Europa? Mas isto não foi o que reinou na nossa indústria têxtil e de calçado durante o tempo dos milhões da Europa e cujo único benefício para o desenvolvimento do país foi o enriquecimento do parque automóvel de Ferraris e essas empresas estão agora fechadas e os seus trabalhadores completamente flexibilizados no desemprego? A reacção de muitos é outra, vou transcrever alguns comentários ao artigo que ilustram isso mesmo.
  • O menino bonito: “Quem é competente, dedicado e trabalhar, não tem medo de medidas com estas. O trabalho para toda a vida acabou e ainda bem. Devia ser dado espaço aos competentes e despedirem-se os incompetentes que só marcam presença para cair o dinheiro na conta no fim do mês. Em todas as empresas deviam avaliar desempenho dos trabalhadores porque existem verdadeiros atrasos de vida.”

    O trabalhador exemplar e valente: “A fonte do CM que refere que "não acredita que haja algum português que aceite uma maior liberalização dos despedimentos", informo que há muitos que como eu, consideram que a actual legislação laboral é redutora da actividade económica e que reduz muitos potenciais portugueses competentes a empregados efectivos e acomodados para toda a vida.”

    O anti-sindicalista: “Vão dizer isso ao sr. Carvalho da Silva da CGTP, que ainda os manda prender! Evolução, progresso e desenvolvimento, é o que preconizam as nossas Centrais Sindicais, com as leis vigentes e mesmo assim não estão satisfeitos! Mais uns anos e a Espanha compra-nos em saldo.”

    O anti-esquerda-pró-empresariado: “Era preciso da OCDE vir dizer isto? Quem é que não sabe que a esquerdice política continua com os seus tentáculos a proteger quem não quer trabalhar? Há milhares de pessoas que deveriam ser imediatamente despedidas para dar lugar a quem quer trabalhar. Mas a lei do trabalho protege-os. Protege a malandragem. Não há nenhum empresariado no mundo que aguente uma coisa destas!”

    O patriota: “Os empresários precisam de poder mandar os malandros embora, para criar riqueza para Portugal. Se fosse facil po-los fora, seria muito facil dar trabalho. Assim os empresários temem ter que manter pançudos e nao metem tanto pessoal como desejam e vao para o estrangeiro. Se os malandros forem obrigados a escolher entre o trabalho e a rua, eles trabalharão. Quanto mais tempo é necessario para acordar?.”

Há outros comentários que testemunham, na primeira pessoa, as consequências da flexibilização proposta. Fico-me por aqui, este último, sem querer, termina com a pergunta certa. Enquanto não abrem os olhinhos, na actual lei continua a exigir-se competência ao empresário para instaurar processo disciplinar ao funcionário incompetente para que, desta forma, o possa despedir por justa causa e sem indemnização e, caso o queira fazer sem motivo válido, pois que pague a indemnização correspondente. Justo.

Happy Valentim

Happy Valentim! Todos os dias do ano, Gondomar dá um exemplo ao mundo. São Valentim continua são e happy, graças aos seus devotos e à justiça portuguesa.
(na imagem: São happy Valentim)