segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Logo pela manhã

Estas são duas formas de ler os resultados do referendo. Numa podemos todos congratular-nos com a vitória do “Sim” à despenalização, com a vitória daqueles que são a favor da liberdade individual. Na outra, devemos todos envergonhar-nos de que em Portugal a grande maioria dos cidadãos abdica de participar activamente na construção da sua sociedade, o “quero lá saber” foi o grande vencedor. O facto parece não preocupar as principais figuras da nossa classe política que, ao invés de se manifestarem no sentido de promoverem uma maior participação, ainda enaltecem “a grande maturidade democrática do povo português”. Que maturidade é esta, um povo que abdica maioritariamente do direito ao voto?

Para finalizar, duas notas para salientar outros tantos exemplos de como promover a participação e o exercício da cidadania. O de Jorge Sampaio, que participou no processo eleitoral como presidente de uma mesa de voto, dando um exemplo de como promover, com actos, a aproximação entre classe política e eleitorado, merecedor de um forte aplauso. E
este outro, de um cérebro que descobriu que o referendo tratou de questões "que nada têm a ver com a vida autêntica, os problemas resolúveis, o que podemos fazer" e que “lá temos de voltar à vida real”. ”Logo pela manhã”, que vómito.

Dejá Vue

Isto não vos faz lembrar qualquer coisa? 100 medidas apresentadas em pacote com todo o espalhafato mediático. A frase bonita: "Avec moi, rien ne se fera sans vous".