quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Questões sobre o Referendo #4

Há muito que não se via tanto moralismo bacoco como desde que começou o debate à volta do referendo, imagem fiel de uma lei que existe e não é aplicada mas que os sectores mais conservadores da sociedade portuguesa defendem como forma de preservar, ao menos no papel, uma falsa moralidade cega à realidade que todos sabem existir mas que é preferível negar. Como arma de arremesso às consciências mais puritanas, a “pouca-vergonha” de uma liberalização apresentada por aqueles segmentos mais conservadores como inevitável caso vença o sim: “fornicar a torto e a direito e matar!!!”. (ver video)

Nestes termos, hoje colocamos duas questões:


  • 1. Adicionemos o detalhe ao caso de ontem de que a Maria abortou pela quinta vez. Merece ser condenada a uma pena de prisão por isso?
  • 2. Em caso afirmativo, há algum limite de abortos a partir do qual seja justo que todas aquelas mulheres que o ultrapassem sejam condenadas a uma pena de prisão?

Uma das grandes vantagens da despenalização é precisamente poder dar uma assistência personalizada a estes casos extremos, para que se evite que recorram sucessivamente à prática de aborto. Isto foi até agora impossível, tanto porque o problema do aborto clandestino não existe oficialmente, como pela ameaça de prisão que afasta estas portuguesas de uma assistência de que muito notoriamente necessitam.

"Forças de atraso": quem???

Portugal é um país competitivo em termos de custos salariais. Os custos salariais são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para a sua subida é muito menor do que nos países do alargamento."

O ministro da Economia, Manuel Pinho, acusou os sindicatos de serem uma "força de atraso" e classificou como "má-fé" as intervenções do PSD e do CDS- PP por tentarem conotá-lo com a defesa de baixos salários em Portugal.

Afinal a culpa não é dele, apesar de ter sido ele que disse? A final vender a mão-de-obra portuguesa como a mais barata da UE é sinal de progresso? Ou afinal Manuel Pinho, ciente de que a opinião pública e as oposições em Portugal são de tal forma dóceis que acha que com uma explicação parva como esta põe ponto final a esta página de ouro da nossa história? O tempo dirá se está ou não errado.
De qualquer forma, há um ponto positivo na questão: as posições assumidas por PSD e PP relativamente a salários baixos que, um dia quando forem poder, ser-lhes-ão lembradas por alguém. Ou não, se Manuel Pinho tiver mesmo razão.

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