quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Questões sobre o Referendo #3

Definitivamente não gosto deste estilo de postagens fulanizadas. No entanto, colocar uma situação concreta e irreversível é um excelente meio de desbloquear e confrontar directamente uma realidade cruel com esquemas mentais utilizados para não a ver ou sequer admitir, o conhecido “efeito avestruz”.

Situação: A Maria é uma mulher de 35 anos, vive e trabalha nos arredores de Viseu como empregada de limpeza. É casada com o João que está preso em Coimbra por pequenos delitos relacionados com o tráfico de estupefacientes e, por isso, sustenta sozinha 5 filhos com os 500 euros que recebe mensalmente pelo seu trabalho. Há 8 semanas, numa saída precária do João, engravidou. Ante a ideia de ter mais uma boca para sustentar, incomportável para o seu orçamento mensal já insuficiente, recorreu aos serviços de uma parteira da terra e abortou ontem.

Questão: Considera justo que a Maria seja condenada a uma pena de prisão por ter interrompido uma gravidez indesejada, aplicando-se a lei actualmente em vigor?

    • Nota 1: a questão formulada não é se concorda com o aborto ou se o aborto é desejável, nenhum aborto o é, a miséria tão pouco.
    • Nota 2: o aborto do caso em análise é um facto consumado e irreversível.
    • Nota 3: caso a Maria seja condenada a uma pena efectiva de prisão, os seus 5 filhos serão entregues a uma instituição de acolhimento.
    • Nota 4: o caso em análise é uma versão light deste outro, real.

®Brandos Costumes

Que dizer da visão e projecto de país de um governante que realça como factor de competitividade da economia portuguesa a divergência real crescente relativamente à média da UE? Foi assim que Manuel Pinho, ministro da economia, nos apresentou aos chineses: um país com salários abaixo da média europeia e onde a pressão de subida é menor que nos outros países da União.
Afinal, em que ficamos? Que projectos tem este Governo para Portugal? Uma aposta numa competitividade que desenvolva o país e nos aproxime do nível de vida da média europeia, aproveitando e potenciando vantagens tecnológicas e de qualificação do factor trabalho ou uma aposta no sub-desenvolvimento e atraso estrutural português, em que o afastamento da média europeia é um factor positivo? Talvez a resposta seja ambas as coisas, a primeira para embelezar discursos eleitoralistas, para consumo interno, e a segunda, quando ninguém os ouve, para consumo externo.
Realço a fraca pressão de subida do custo do factor trabalho oferecida por Manuel Pinho aos chineses. Pela primeira vez vejo um governante a assumir o alheamento político e amorfia dos habitantes do país dos brandos costumes como factor de afirmação da competitividade portuguesa no comércio internacional. Assumida esta característica que nos favorece aos olhos dos chineses, habituemo-nos aos dois discursos em paralelo, que ninguém vai chatear.

Votar SIM, mas sempre "pró-vida"

Bem sei que muitos não os usam e, pelos vistos, ainda bem. Leiam isto e o apelo subliminar subjacente aos que os usam para que imitem os que não os usam. Não é pecado, seguramente, afinal como veio Jesus ao mundo?
Porém, não vá o diabo tecê-las, liguem o aquecimento ou façam-se acompanhar de alguma coisa bem quentinha. Esperem depois... que o senhor das trevas faça das suas, nas mesmas ou de luz bem acesa.