Iniciamos hoje, neste espaço, um ciclo de posts que pretende fomentar a reflexão e o debate em torno do referendo da despenalização da interrupção voluntária da gravidez. A questão de hoje é um caso concreto, visa explorar uma situação possível de acontecer que no nosso ordenamento jurídico actual constitui um crime punido com pena de prisão e que, caso vença o Sim, deixa de o ser.
Situação: A Ana é a sua melhor amiga. É uma mulher de 30 anos, solteira, profissional liberal na área de vendas, que conseguiu trabalho há 3 meses, após um período de quase dois anos no desemprego. A Ana engravidou há 4 semanas, fruto de uma relação esporádica. Foi um choque para ela, porque estava a tomar a pílula e não era suposto engravidar.
Situação: A Ana é a sua melhor amiga. É uma mulher de 30 anos, solteira, profissional liberal na área de vendas, que conseguiu trabalho há 3 meses, após um período de quase dois anos no desemprego. A Ana engravidou há 4 semanas, fruto de uma relação esporádica. Foi um choque para ela, porque estava a tomar a pílula e não era suposto engravidar.
Face à gravidez indesejada que, por ser fruto de uma relação ocasional terminada a forçaria a uma maternidade mono parental e que, ainda por cima, seguramente a faria perder o emprego, em desespero de causa recorreu a uma clínica privada onde se pratica clandestinamente a interrupção voluntária da gravidez e abortou ontem, pagando 750 Euros pela intervenção. A operação decorreu como desejado, com todas as condições medico-sanitárias e a Ana encontra-se agora a recuperar física e psicologicamente das sequelas inerentes à sua decisão.
Questão: defende que à Ana, a sua melhor amiga, deverá ser aplicada a pena de prisão que resulta da aplicação da legislação actual relativa à prática de aborto? Ela já abortou, é um facto consumado.
Questão: defende que à Ana, a sua melhor amiga, deverá ser aplicada a pena de prisão que resulta da aplicação da legislação actual relativa à prática de aborto? Ela já abortou, é um facto consumado.
Nota: o "estilo TVI" foi conscientemente adoptado para ultrapassar a descoincidência, tantas vezes constatável, entre o que se defende "para os outros" e o que se defende "para os nossos".
