Tem de tudo, este artigo com o título sugestivo “Quase metade dos portugueses vive à custa do Estado”, que espelha a douta opinião de Medina Carreira. São enumerados os parasitas que vivem à conta dos impostos dos portugueses, todos colocados no mesmo saco, a saber:
a) Praga nº 1 - 737 mil funcionários públicos: embora admita que “os rendimentos são dados a troco de trabalho”, esse aspecto é pouco relevante para o caso, tratando-se de funcionários públicos e não de trabalhadores do sector privado que, em especial os do sector de exportação, são os únicos que geram riqueza para a nação. Ou seja, conclui o senhor que os primeiros, que aparentemente não pagam impostos, vivem à pala dos segundos e dos terceiros.
b) Praga nº 2 - 2,7 milhões de reformados: diferenciados em dois grupos (reformados do Estado e do sector privado), uma franja da população que já não produz e, como tal, já só está neste mundo para comer à custa dos que produzem, os segundo e terceiro grupos enunciados no ponto anterior. Alguns, os que recebem uma pensão a rondar o salário mínimo, não são o maior problema, ele reside naqueles que recebem acima disso;
c) Praga nº 3: as pessoas que vivem a partir de subsídios e complementos (subsídios de desemprego e doença e rendimento social de inserção).
Incrível, esta visão, na qual o que me choca mais é a forma como os reformados são enquadrados, como se não tivessem descontado uma vida inteira para receber uma pensão de reforma condigna e a forma como são tratadas a assistência na doença e no desemprego. Qual a alternativa, então, ao modelo actual?
Para acabar com a praga nº 1, serviços públicos privatizados? Já aqui tratámos o tema, não faz sentido esta abordagem, uma vez que 1 euro gasto num serviço prestado directamente pelo maldito Estado vale o mesmo que 1 euro gasto num serviço privatizado mas financiado pelo bendito Estado, ele não fica melhor nem pior por isso só por pertencer ao sector privado que, no caso concreto, é um sector privado “especial” cujo único cliente é o bendito Estado.
Relativamente à praga nº 2, limitar as pensões de reforma ao salário mínimo? Quem recebe uma reforma mais alta descontou para isso uma vida inteira, não está a roubar nada a ninguém. E, salvo nas do tipo que aqui trouxemos na passada Sexta-feira, que escapou à enumeração de pragas do nosso analista, é de elementar justiça que quem tenha descontado mais para a reforma durante a vida activa, receba mais quando chega a hora de descansar de toda uma vida de trabalho, foi para isso que descontou.
Finalmente, quanto ao Rendimento Social de Inserção, a praga nº 3, qual a alternativa para os excluídos da nossa sociedade que não aufiram outros rendimentos? A mendigagem ou o banditismo? O Rendimento Social de Inserção traduz-se precisamente nisto, no custo social que todos pagamos para não cairmos no extremo a que se chegou, por exemplo, no Brasil, em que os impostos pagam a repressão, não a inclusão e, aí sim, temos a criminalidade como praga social.
a) Praga nº 1 - 737 mil funcionários públicos: embora admita que “os rendimentos são dados a troco de trabalho”, esse aspecto é pouco relevante para o caso, tratando-se de funcionários públicos e não de trabalhadores do sector privado que, em especial os do sector de exportação, são os únicos que geram riqueza para a nação. Ou seja, conclui o senhor que os primeiros, que aparentemente não pagam impostos, vivem à pala dos segundos e dos terceiros.
b) Praga nº 2 - 2,7 milhões de reformados: diferenciados em dois grupos (reformados do Estado e do sector privado), uma franja da população que já não produz e, como tal, já só está neste mundo para comer à custa dos que produzem, os segundo e terceiro grupos enunciados no ponto anterior. Alguns, os que recebem uma pensão a rondar o salário mínimo, não são o maior problema, ele reside naqueles que recebem acima disso;
c) Praga nº 3: as pessoas que vivem a partir de subsídios e complementos (subsídios de desemprego e doença e rendimento social de inserção).
Incrível, esta visão, na qual o que me choca mais é a forma como os reformados são enquadrados, como se não tivessem descontado uma vida inteira para receber uma pensão de reforma condigna e a forma como são tratadas a assistência na doença e no desemprego. Qual a alternativa, então, ao modelo actual?
Para acabar com a praga nº 1, serviços públicos privatizados? Já aqui tratámos o tema, não faz sentido esta abordagem, uma vez que 1 euro gasto num serviço prestado directamente pelo maldito Estado vale o mesmo que 1 euro gasto num serviço privatizado mas financiado pelo bendito Estado, ele não fica melhor nem pior por isso só por pertencer ao sector privado que, no caso concreto, é um sector privado “especial” cujo único cliente é o bendito Estado.
Relativamente à praga nº 2, limitar as pensões de reforma ao salário mínimo? Quem recebe uma reforma mais alta descontou para isso uma vida inteira, não está a roubar nada a ninguém. E, salvo nas do tipo que aqui trouxemos na passada Sexta-feira, que escapou à enumeração de pragas do nosso analista, é de elementar justiça que quem tenha descontado mais para a reforma durante a vida activa, receba mais quando chega a hora de descansar de toda uma vida de trabalho, foi para isso que descontou.
Finalmente, quanto ao Rendimento Social de Inserção, a praga nº 3, qual a alternativa para os excluídos da nossa sociedade que não aufiram outros rendimentos? A mendigagem ou o banditismo? O Rendimento Social de Inserção traduz-se precisamente nisto, no custo social que todos pagamos para não cairmos no extremo a que se chegou, por exemplo, no Brasil, em que os impostos pagam a repressão, não a inclusão e, aí sim, temos a criminalidade como praga social.
Bem, mas pensando melhor e seguindo a lógica, entende-se: as empresas de segurança no Brasil pertencem ao bendito mercado, logo, é positiva a substituição.
