“(…) O cruzamento dos dados da inflação divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que confirma uma subida média dos preços de 3,1 por cento, com os dados oficiais sobre aumentos salariais em Portugal, permite verificar que estes aumentos foram inferiores à subida dos preços para mais de dois milhões de trabalhadores por conta de outrem. Estão nesta situação mais de 730 mil funcionários públicos, mas também mais de 1.300.000 empregados do sector privado.
Na função pública, os aumentos salariais em 2006 não ultrapassaram 1,5 por cento; no sector privado, os dados conhecidos sobre a contratação colectiva, que englobam pouco mais de 1,3 milhões de trabalhadores, mostram que os aumentos médios implícitos nos contratos que entraram em vigor até Setembro tinham subjacente um aumento salarial médio de 2,8 por cento. Como os dados do INE relativos ao inquérito ao emprego mostram que no terceiro trimestre do ano passado havia pouco mais de 3,9 milhões de trabalhadores por conta de outrem, conclui-se que cerca de metade destes deverá ter perdido poder de compra. (…)”
Para que serve o crescimento económico, se as populações dos espaços onde ele ocorre dele não retiram quaisquer benefícios no seu nível de vida? Qual a motivação para produzir mais e ser mais produtivos? Os argumentos com que o paradigma neo-liberal responde a estas questões são pura retórica, por mais que a realidade demonstre o contrário. As consequências ao nível do emprego e do nível de vida das populações estão bem à vista de todos: as fábricas e lojas que fecham, os saldos antecipados, o desemprego, ao que respondem os mesmos neo-liberais insistindo no mesmo erro da necessidade de contenção salarial e na quimera das exportações. “Contenção salarial porque há que ser mais competitivos”, “Há que exportar mais para crescer mais”. E, a juntar às duas questões iniciais, junta-se a questão do papel de Portugal no Mundo: queremos um país que produza riqueza também para nós ou só para os outros? A resposta à questão deverá incluir exemplos de países que se tenham desenvolvido sem desenvolver o mercado interno, remetendo-se ao papel de reserva de mão-de-obra barata, e o tipo de sociedade emergente de cada modelo adoptado. O desenvolvimento não é uma questão de fé, nem a História se contraria com chavões, como se fosse obra do acaso. A História constrói-se ao sabor das políticas seguidas e das suas consequências.
Na função pública, os aumentos salariais em 2006 não ultrapassaram 1,5 por cento; no sector privado, os dados conhecidos sobre a contratação colectiva, que englobam pouco mais de 1,3 milhões de trabalhadores, mostram que os aumentos médios implícitos nos contratos que entraram em vigor até Setembro tinham subjacente um aumento salarial médio de 2,8 por cento. Como os dados do INE relativos ao inquérito ao emprego mostram que no terceiro trimestre do ano passado havia pouco mais de 3,9 milhões de trabalhadores por conta de outrem, conclui-se que cerca de metade destes deverá ter perdido poder de compra. (…)”
Para que serve o crescimento económico, se as populações dos espaços onde ele ocorre dele não retiram quaisquer benefícios no seu nível de vida? Qual a motivação para produzir mais e ser mais produtivos? Os argumentos com que o paradigma neo-liberal responde a estas questões são pura retórica, por mais que a realidade demonstre o contrário. As consequências ao nível do emprego e do nível de vida das populações estão bem à vista de todos: as fábricas e lojas que fecham, os saldos antecipados, o desemprego, ao que respondem os mesmos neo-liberais insistindo no mesmo erro da necessidade de contenção salarial e na quimera das exportações. “Contenção salarial porque há que ser mais competitivos”, “Há que exportar mais para crescer mais”. E, a juntar às duas questões iniciais, junta-se a questão do papel de Portugal no Mundo: queremos um país que produza riqueza também para nós ou só para os outros? A resposta à questão deverá incluir exemplos de países que se tenham desenvolvido sem desenvolver o mercado interno, remetendo-se ao papel de reserva de mão-de-obra barata, e o tipo de sociedade emergente de cada modelo adoptado. O desenvolvimento não é uma questão de fé, nem a História se contraria com chavões, como se fosse obra do acaso. A História constrói-se ao sabor das políticas seguidas e das suas consequências.
