Com a celeuma levantada pela aplicação da legislação existente relattiva a controlo electrónico de assiduidade , publicada e letra morta há já 8 anos, ganha visibilidade a capacidade de auto-controlo de certos grupos profissionais, cujo cumprimento dos deveres laborais, acima de qualquer suspeita de prevaricação, não se enquadram no atrás referido diploma legal, não só pela natureza das funções desempenhadas, mas também pelo status social que aquelas conferem.
A semana começou com o espernear, a duas só pernas, de dezena e tal de directores clínicos do hospital Pedro Hispano, que a uma só voz disseram de sua justiça sobre a falta de pertinência do controlo que lhes era aplicado e a uma só mão assinaram outros tantos pedidos de demissão. Tudo para evitar a quebra de produtividade emergente de tal aviltante insulto, que país é este onde nem médicos escapam ao pica-ponto?
A semana termina com uma reacção semelhante de outra classe auto-controlada, em artigo trazido à estampa pelo Diário de Coimbra, a cidade dos Doutores, da Universidade e suas feudais tradições. O artigo é extenso, apresentamos apenas dois pequenos excertos. O primeiro, a parte relativa “aos outros”. Sim, que o que é bom "para os outros" nem sempre coincide com o que é bom "para nós". Senão, vejamos:
“A Universidade de Coimbra está a instalar um sistema de controlo de assiduidade por impressão digital para os funcionários não docentes, um método igual ao que se prevê para as unidades hospitalares e que tem suscitado dúvidas.(…)” (Dúvidas? O cunho da imprensa regional. Adiante.)
Agora a parte do “nós”, do “para nós não!”:
“(…)O controlo de assiduidade por impressão digital não engloba os docentes, que são sujeitos a outros critérios de fiscalização, desde logo por praticarem horários impostos pela própria actividade pedagógica.(…)”
Ou seja, por assinarem sumários não necessitam do controlo digital. Será isto? Se é, o horário de qualquer docente universitário a tempo inteiro e com exclusividade é composto de 35 horas, 12 lectivas e as restantes não lectivas, destinadas à investigação e que não são controladas de forma nenhuma. Podemos então temer o pior, caso o sistema seja aplicado também na secular universidade de Coimbra, conhecida pela imensíssima, vastíssíssima produção científica: o que acontecerá caso os docentes da UC considerem que a aplicação de sistemas digitais de controlo de assiduidade afectam também a sua produtividade? A produção científica em Portugal pode parar.
A semana começou com o espernear, a duas só pernas, de dezena e tal de directores clínicos do hospital Pedro Hispano, que a uma só voz disseram de sua justiça sobre a falta de pertinência do controlo que lhes era aplicado e a uma só mão assinaram outros tantos pedidos de demissão. Tudo para evitar a quebra de produtividade emergente de tal aviltante insulto, que país é este onde nem médicos escapam ao pica-ponto?
A semana termina com uma reacção semelhante de outra classe auto-controlada, em artigo trazido à estampa pelo Diário de Coimbra, a cidade dos Doutores, da Universidade e suas feudais tradições. O artigo é extenso, apresentamos apenas dois pequenos excertos. O primeiro, a parte relativa “aos outros”. Sim, que o que é bom "para os outros" nem sempre coincide com o que é bom "para nós". Senão, vejamos:
“A Universidade de Coimbra está a instalar um sistema de controlo de assiduidade por impressão digital para os funcionários não docentes, um método igual ao que se prevê para as unidades hospitalares e que tem suscitado dúvidas.(…)” (Dúvidas? O cunho da imprensa regional. Adiante.)
Agora a parte do “nós”, do “para nós não!”:
“(…)O controlo de assiduidade por impressão digital não engloba os docentes, que são sujeitos a outros critérios de fiscalização, desde logo por praticarem horários impostos pela própria actividade pedagógica.(…)”
Ou seja, por assinarem sumários não necessitam do controlo digital. Será isto? Se é, o horário de qualquer docente universitário a tempo inteiro e com exclusividade é composto de 35 horas, 12 lectivas e as restantes não lectivas, destinadas à investigação e que não são controladas de forma nenhuma. Podemos então temer o pior, caso o sistema seja aplicado também na secular universidade de Coimbra, conhecida pela imensíssima, vastíssíssima produção científica: o que acontecerá caso os docentes da UC considerem que a aplicação de sistemas digitais de controlo de assiduidade afectam também a sua produtividade? A produção científica em Portugal pode parar.
E, na forja, fruto das mais aturadas investigações, pode bem estar um sistema de auto-controlo digital de assiduidade, a aplicar aos grupos sócio-profissionais mais ilustres e que, por tal, dispensem ser controlados, para consumo interno e, porque não, para exportação. Haja respeito!
