quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

O negócio do ano

O anúncio da OPA da Sonae sobre o Grupo PT tem sido acompanhado de uma poderosa campanha mediática, com o objectivo de a colocar junto da opinião pública como um sinal positivo na revitalização da economia nacional, apresentar Belmiro de Azevedo como um corajoso homem de negócios, com visão estratégica e com confiança para investir em Portugal, e a Sonae como uma empresa de grande capacidade, capaz de controlar um grupo de muito maior dimensão.

Confirmado o negócio do ano de 2007, com a luz verde dada pela Autoridade da Concorrência em 22 de Dezembro último, pouco foi dito sobre alguns aspectos do negócio, lesivos do interesse público, de todos nós enquanto cidadãos e enquanto consumidores. A autoridade da Concorrência, que existe precisamente para zelar pelo interesse dos consumidores, foi mesmo citada na imprensa britânica, incrédula de como é que num país da UE é aprovado um negócio cujo resultado tem impactos negativos sobre a concorrência, em que todos ganham menos os consumidores.

Outro aspecto que tem sido mantido à margem do mediatismo da operação é o da dívida monstruosa do Fundo de Pensões da PT, avaliado entre 2,5 e 3 mil milhões de Euros. Quem o vai assumir? Será transferido para a Segurança Social Pública, caso a Sonae o imponha como condição para o negócio? Fará José Sócrates mais um favor, desta vez a Belmiro de Azevedo, prejudicando o interesse público? Esta foi uma das questões centrais da
conferência de imprensa dada por Francisco Louça na passada Terça-feira que todos nós, como cidadãos e contribuintes que somos, temos o direito de ver esclarecida. O mercado, se realmente é mercado, não necessita destas ajudinhas e, em Democracia, os Governos são eleitos para representar os interesses dos cidadãos e não os de grupos económicos.