Após a mensagem de Natal de José Sócrates que não convenceu ninguém, e após a mensagem de Ano Novo do PR, a exigir resultados, eis que surge a necessidade de reunir apoios entre a opinião pública. A fórmula não surpreende, é a que quase todos os líderes autoritários usam para concentrar as atenções e ódios: o inimigo, interno ou externo, que há que vencer, o estigma que há que esmagar, a praga que há que banir. Uma receita simples e facilmente assimilável pelas massas, aconteceu numa Alemanha em crise nos anos 30 com o inimigo judeu, o inimigo infiel um pouco por toda a parte no Islão, o inimigo terrorista na América de Bush, os exemplos repetem-se ao longo da História. Repete-se no Portugal em crise de um Sócrates preso a interesses privados e a um aparelho estatal instrumentalizado pelo império dos tachos rosa, agora o inimigo são os funcionários públicos, a receita milagrosa é o despedimento destes inimigos e a venda a retalhos de serviços públicos, por imperativos orçamentais.
Mas, a fórmula mágica, se resulta para os felizes contemplados com o Euromilhões das privatizações, já para a redução do défice público, que lhe serve de argumento, revela-se menos promissora. Basta pensarmos que para a despesa contribuem da mesma forma 1 Euro gasto num estabelecimento do Serviço Nacional de Saúde e 1 Euro gasto num qualquer hospital vendido ao BES Saúde ou Grupo Mello, pelo que a fórmula apresentada apenas se traduz numa transferência entre parcelas de gastos do Estado, 1=1
E, então, qual a vantagem? Mais que vencer o inimigo, sobretudo servir o amigo. E qualquer argumentação aqui resulta completamente inútil, fosse lá possível convencer os alemães de que os judeus não eram os culpados da crise dos anos 30, os fundamentalistas que os ocidentais não são todos como o Sr. Bush ou a maioria dos americanos que os muçulmanos não são todos terroristas em potência. Glória aos vencedores, morte aos vencidos, salve-se quem puder.