sábado, 11 de agosto de 2007

Uma causa de todos

Recebemos este manifesto via mail, que republicamos juntamente com a reprodução de um apelo de divulgação dirigido a todos que o leiam, pelos meios que entenderem. Este é o meio de que dispomos e o manifesto aqui fica. É uma causa de todos nós, sem excepções.

«Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios Fiscais
Manifesto

Aquando da discussão do Orçamento de Estado para 2007, o Governo lançou um violento ataque contra 39 000( número do Governo) "deficientes privilegiados" que vão deixar de poder excluir da tributação do IRS 50% do rendimento anual (com o limite de 13 744 euros), para passar a deduzir à colecta unicamente um montante equivalente a 3 salários mínimos qualquer que seja o rendimento. Ainda que essa não fosse a intenção inicial do Governo, que pretendia que a medida entrasse em vigor pleno já em 2007, acabou por ser criado um periodo de transição para 2007 (isenção de 20% do rendimento ) e 2008 ( 10% ) ( no nosso site encontrará os cálculos detalhados com as implicações sobre os diferentes escalões de rendimento).

Invocando o argumento de que a poupança assim realizada pelo Estado seria usada em benefício de outras 135 000 ( número do Governo) pessoas com deficiência carenciadas, o Governo conseguiu, muito habilmente, bloquear a reacção dos atingidos, que se sentiram responsabilizados pelas pensões sociais miseráveis que são atribuidas às pessoas com deficiência dependentes e às que não puderam aceder ao mercado de trabalho.

O Governo optou, assim, por redistribuir os já escassos recursos de apoio às pessoas com deficiência exclusivamente entre as próprias, em vez de fazer incidir sobre, por exemplo, os contribuintes mais ricos esse esforço de solidariedade. Moralmente, não estamos muito longe das antigas leprosarias em que os próprios leprosos tinham de cuidar uns dos outros.

Nenhum trabalhador está livre de ter um acidente ou de contrair uma doença incapacitante. Se mesmo nessas circunstâncias continuar a trabalhar, vai constatar que o seu novo modo de vida se tornou muito mais dispendioso. Para além dos tratamentos e apoios técnicos, com custos mais ou menos elevados consoante o tipo e grau de deficiência – muitos deles nem sequer comparticipados pelo Estado – passará a dispender muito dinheiro com os transportes, com o apoio domiciliário para o desempenho de tarefas quotidianas, e com muitos outros pequenos "nadas" que somados são uma fortuna.

Ou seja, um trabalhador portador de deficiência a desempenhar uma determinada função, para comprar com o seu salário uma qualidade de vida e um bem estar "equiparável" a um não deficiente tem de ganhar significativamente mais. Por isso consideramos justo que o benefício fiscal em sede de IRS esteja relacionado com o vencimento auferido pelos demais trabalhadores a desempenhar as mesmas funções.

A nossa esperança média de vida é mais baixa do que a esperança de vida dos não deficientes. Mas descontamos o mesmo para a Segurança Social e CGA, pagando um horizonte de vida que não temos. Curiosamente, o Governo não se lembrou deste aspecto quando recentemente agravou as condições de reforma justamente por causa da maior longevidade dos trabalhadores.

Ao iniciarmos este movimento em defesa dos benefícios fiscais que auferimos desde 1988 – e para o qual vamos pedir o apoio das associações de pessoas com deficiência e dos sindicatos – fazemo-lo com a certeza de estarmos a lutar por um direito e não por uma benesse.Pedimos às pessoas com deficiência que o Governo fez passar por privilegiados, para sairem do seu mutismo e se juntarem a nós.

Vamos utilizar a Internet como meio para nos organizar e comunicar . Estamos a iniciar um site onde colocaremos toda a informação ( provisóriamente o site está localizado em
http://xbarreiros.no.sapo.pt/mtpd-bfiscais/)e temos um email mtpd.bfiscais@gmail.com que devem usar para nos contactar.»

9 comentários:

LFC disse...

Ao contrário da desigualdade entre homens e mulheres, das desigualdades raciais, de orientação sexual, esta é uma desigualdade “fora de moda”, talvez por incómoda ou por espelhar uma realidade “feia”, que constrange uma maioria que a considera uma causa menor. Vou passar por mail, a mim incomoda-me particularmente viver numa sociedade que trata tão mal os deficientes e não só. Nesta alteração dos benefícios fiscais estão também as doenças do foro oncológico. Afecta portanto a todos.

Anónimo disse...

Uma das muitas maravilhas de sócrates. Bem feitinha, porque todos pensam que a situação dos deficientes melhorou.

Anónimo disse...

Devia fazer-se um abaixo assinado. Isto é uma vergonha....

Maria disse...

Não se conhece a Constituição nem as normas internacionais em vigor... Deficiências congénitas ou adquiridas são circunstâncias das nossas vivências. E como em qualquer circunstância que não é escolhida, não me parece que num estado de direito, sejam criadas penalizações para o facto. Já basta não implementarem o que legislam nesta área. Estas, quando saem, infelizmente, costumam ser usadas. É incompreensível e anti-democrático. Estou à vossa disposição para todo o apoio que precisem neste movimento.

MARIA disse...

Divulgarei por email, sentindo-me, naturalmente, honrada em poder colaborar.
Com os melhores cumprimentos
Maria

Fado Alexandrino disse...

Tenho o máximo respeito pelos deficientes.
Os dois únicos que conheço pessoalmente têm ambos uma grau que anda pelos 60%.
Um é director de uma importante firma farmacêutica.
O outro é quadro médio da Portugal Telecom.
Tem todas as regalias que pode eventualmente ter um servente de pedreiro e não são poucas.

Anónimo disse...

Fado Alexandrino? Serão todos assim? Deverão os demais perder porque esses tÊm? Não percebi a comparação com os serventes de pedreiro.

soletrar disse...

Os reformados bancários também apanharam pela "medida grossa" do sr.sócrates, no que diz respeito às isenções fiscais.
Pena é que não se unam todos os que sentiram os seus interesses beliscados.
E olhem que, salvo erro, a média salarial da grande maioria deles já não passava de sofrível (mesmo abaixo dos 1.000 €/mês).
Bom fim-de-semana.
...............
Nota: Como o meu neto está de férias, tomei a liberdade de ocupar o seu lugar como administrador do seu blog. ;)

Anónimo disse...

Comunicado de Imprensa



Com a exigência de reposição dos benefícios fiscais, o Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência realiza a sua 1ª Reunião dia 1/9 no IST, em Lisboa



O Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios Fiscais vai realizar a sua 1ª Reunião em Lisboa, dia 1 de Setembro às 16h30, nas instalações do Instituto Superior Técnico, para definir a acção a desenvolver junto dos Partidos Políticos e do Governo com o objectivo de que sejam repostos na Lei do Orçamento de 2008 os benefícios fiscais em sede de IRS de que beneficiavam desde 1988.

Criado em Maio passado, o Movimento tem-se focado até aqui no esclarecimento dos trabalhadores com deficiência sobre as implicações gravosas das medidas do Governo nas suas condições de vida ( no nosso site http://xbarreiros.no.sapo.pt/mtpd-bfiscais estão disponíveis simulações para 2008 e 2009 para vários escalões de rendimento ) e no contacto com as associações de deficientes a quem tem solicitado apoio activo para esta causa.

O Movimento fundamenta a sua posição no facto de os custos da deficiência, que não derivam apenas de motivos médicos mas também do modo de vida que a pessoa com deficiência é obrigada a ter, serem muito superiores aos 100 euros mensais que o Governo tenciona conceder como único benefício fiscal a partir de 2009.



Agosto de 2007



Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em defesa dos Benefícios Fiscais



Site (provisório): http://xbarreiros.no.sapo.pt/mtpd-bfiscais

E-mail: mtpd.bfiscais@gmail.com

Telemóvel de contacto - 966668728