sexta-feira, 6 de julho de 2007

Insonorizações

«Cerca de 25 mil trabalhadores e sindicalistas europeus desfilaram ontem em Guimarães contra a flexigurança – despedimentos mais fáceis conjugados com maior protecção social. A manifestação, que obrigou ao corte do trânsito e mobilizou um forte dispositivo de segurança, apesar de discreto, coincidiu com a reunião informal dos ministros do Emprego e Assuntos Sociais da União Europeia (UE), que hoje termina naquela cidade.» (DN)

Mais do que as dimensões gigantescas da manifestação, e imaginando o chinfrim que podem fazer 25 mil pessoas numa marcha de protesto, fica um elogio insólito à qualidade da insonorização do pavilhão multiusos de Guimarães, sede da presidência portuguesa da União Europeia:

«Segundo o comissário europeu do Emprego, Vladimir Sipdla, os cidadãos percebem perfeitamente a necessidade de “adaptação à mudança” nas sociedades europeias.» (
Público)

Resulta evidente que percebem, todos percebemos bastante bem até. Talvez pela fraca insonorização das habitações no espaço europeu. Mas até que a Comissão Europeia se aperceba que percebemos, há que fazer ruído suficiente para perfurar os seus sistemas quase impenetráveis de isolamento, que apenas deixam ouvir e ver o que os senhores comissários entendam conveniente.