sexta-feira, 8 de junho de 2007

A técnica da banhada

A técnica é simples. Consiste em anunciar, com pompa e circunstância, qualquer coisa supostamente inovadora e sem quaisquer inconvenientes para ninguém, que supostamente - de novo supostamente - beneficia toda a gente. Depois, se aparecerem notícias que desmascarem o logro, isso nem se nota, tanto porque o destaque mediático que lhe é dado é incomparavelmente menor, como porque a primeira notícia foi já incorporada na opinião pública, como ainda pela rarefacção de hábitos de contestação na sociedade portuguesa a tais fenómenos de desonestidade política. Aconteceu com a retirada de benefícios fiscais aos cidadãos portugueses portadores de deficência no final do ano passado, com todo um espectáculo bem conseguido para disseminar a ideia de que a vida daqueles cidadãos melhorou. Quase toda a gente pensa que melhorou e, pelo contrário, piorou e vai piorar ainda mais, os benefícios vão baixar progressivamente nos próximos anos e as medidas anunciadas pelo Governo de José Sócrates que serviram como moeda de troca para a retirada dos benefícios fiscais têm um alcance muito reduzido. Aconteceu com a redução do imposto automóvel (IA), em que quase toda a gente pensa que baixou e, ao contrário, foi substituído e agravado. Acontece também com esta “banhada”, que vem resumida no blog “Educação Cor-de-rosa”, que abaixo republicamos. Eu também não sabia, comigo a "técnica da banhada" também resultou.

«(…) Então afinal, os 150 euros representam um "máximo de 150 euros de entrada". Afinal não são computadores a 150€, essa é só a entrada, depois continua-se a pagar "prestações mensais cinco euros abaixo da oferta praticada no mercado". Portanto se o mercado estiver a oferecer o mesmo produto com prestações mensais de 50€, pagar-se-á uma prestação de 45€, sem que se saiba durante quanto tempo (3 anos - a duração do secundário?).

Afinal, entre a entrada baixa e o desconto de 5€ por mês (3 anos - 36 meses), acaba por sair um computador portátil uns 50 ou 100€ abaixo do preço de mercado. Eis a revolução anunciada que vai fazer choque tecnológico. Era tipo danoninho, só faltava mesmo um bocadinho...»

2 comentários:

Samir Machel disse...

Parece que nos andam a enfiar o barrete ou umas orelhas de burro...

Anónimo disse...

Ler notícias sem atenção produz comentários desinformados...

A interpretação da frase "prestações mensais..." é desde logo perto de ridícula e, obviamente seria impossível praticar uma regra que se baseasse numa redução de um valor de mercado geral.

Então para tirar dúvidas. Os portáteis são realmente a 150 euros. Fica-se obrigado a durante o espaço de UM ANO (e não indefinidamente) a pagar 15 que dão direito a acesso à internet por banda larga (e era a esse serviço que se referia a expressão "cinco euros abaixo do valor de mercado" o que é um facto).

Portanto, uma leitura atenta antes de deitar irritações cá para fora era fortemente aconselhada...

Já agora para poder confirmar...

http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Primeiro_Ministro/Intervencoes/20070531_PM_Int_AR_Soc_Inf.htm

É esse o link que a leva ao portal do governo em que tem as palavras exactas com que o primeiro ministro anunciou a iniciativa...


Atenciosamente,
João Guedes