sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Um mistério da Fé

"Autoridade da Concorrência não percebe queda lenta de preço

A Autoridade da Concorrência não encontra explicações que justifiquem a lentidão com que os preços dos combustíveis caíram no mercado português no terceiro trimestre de 2006.

Numa newsletter sobre o acompanhamento dos mercados, divulgada pelo regulador da concorrência, a AdC recorda que os preços internacionais da gasolina e gasóleo caíram 32 e 13 por cento, respectivamente.

Contudo, no território nacional, o preço antes dos impostos da gasolina sem chumbo de 95 octanas caiu apenas 12,2 por cento, ao passo que o gasóleo sofreu uma queda de apenas 1,2 por cento.

Neste documento, a Autoridade da Concorrência afirma ainda que os preços a retalho, em Portugal, estão a responder com um atraso de quatro semanas contra as duas semanas de média registada na União Europeia.

A entidade liderada por Abel Mateus concluiu também que a diferença no tempo de ajustamento dos preços no retalho em Portugal em relação aos preços internacionais no terceiro trimestre de 2006 «não é suficiente» para explicar o desfasamento observado."

Sobressai o título "Autoridade da Concorrência não percebe queda lenta de preço". Tanto eu como o leitor, que não somos pagos para entender o fenómeno, que tínhamos sobre ele uma ligeiríssima ideia e uma explicação, ficamos agora mais esclarecidos. A autoridade da Concorrência, cuja razão de existir é precisamente actuar sobre casos evidentes de cartelização como este, não actua: ignora-o ou finge ignorá-lo.

Então ficam duas questões centrais neste tema: a primeira, onde estão as maravilhosas forças do mercado, a mão invisível que actua em benefício de todos? A segunda, não estaríamos melhor servidos com o sistema que vigorava anteriormente de preços máximos fixados pelo Estado? As respostas resultam óbvias para quem não seja um daqueles fanáticos neo-liberalóides para quem a realidade, quando não convém, é sempre uma excepção à regra.

Grande Concurso d'O país do Burro

Dos valores dos aumentos anunciados no quadro abaixo, diga qual lhe parece impossível de vir a verificar-se.
Por estarmos conscientes do elevado grau de dificuldade da questão formulada, damos uma ajudinha. Cá vai ela, a frase que fez furor há uns dias e foi objecto de postagem no PB: "Passo a passo a economia está a recuperar. Passo a passo os resultados começam a surgir" – José Sócrates
Agora concentre-se bem e responda. Boa sorte!

Ai! Quase nos esquecíamos do prémio! Os que acertarem na resposta à questão do Grande Concurso PB ganham o previlégio de terem um Governo reformista de esquerda até 2009. Como prémio de consolação aos que não acertarem, um Governo de Esquerda reformista até 2009. Pelo menos.