segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Estabilidade ou mobilidade, more jobs or better jobs?

«Como são imprevisíveis os voos das borboletas, assim é inconstante o rumo profissional dos jovens portugueses que saem do sistema escolar. Um estudo inédito em Portugal pela sua expressividade analisou a vida profissional de mais de cem jovens ao longo de cinco anos. Para chegar à conclusão que o desemprego é muito significativo, atingindo 42% dos jovens e que este fenómeno atinge mais os graduados que saem da escola com o 12.º ano geral. (…)»

No resto do artigo podem ler-se algumas das restantes conclusões do estudo que, sintetizadas, são essencialmente três: a fraca mobilidade social resultante de mais qualificações académicas, a curta duração dos contratos e constante mudança de emprego resultante da precariedade das relações laborais e, finalmente, a aparente contradição de os alunos com menores qualificações conseguirem emprego mais facilmente que os que estudaram durante mais tempo. Aparente, apenas, porque se a apreciação recair sobre a qualidade do emprego, leia-se na peça que são «normalmente situações de "sub-empregos" ou trabalhos mal remunerados. Não há aqui instabilidade profissional ou "ziguezagues" porque há uma espécie de impossibilidade: "São jovens sem expectativas de mobilidade social e quando encontram um emprego, ficam lá quietos, porque não podem sair."»

Esta é uma questão que escapa à lógica de análise dominante, em que o discurso oficial se pinta em tons de “more jobs” em vez de “better jobs”, embelezados com a apologia de uma mobilidade que se quer e de uma estabilidade no emprego inimiga da modernidade e do desenvolvimento.
As questões centrais são aqui a do modelo de emprego a promover e a da estratégia de especialização de Portugal num contexto de economias em concorrência global, em que podem identificar-se dois modelos: um que valoriza o conhecimento e as qualificações profissionais, em que as empresas vêem na saída de um seu trabalhador a perda de um activo cuja substituição tem custos de formação e um segundo, em que o factor trabalho é pouco qualificado e as empresas vêem na constante substituição dos seus trabalhadores uma forma de aumentarem a sua competitividade, baseada em salários baixos, uma vez que assim não têm que pagar promoções nem aumentos salariais resultantes de contratos prolongados. A primeira promove a estabilidade, a segunda a “mobilidade” e é esta, claramente, a aposta do executivo de Sócrates, cujos resultados não são tão imprevisíveis como o voo das borboletas, vêm reflectidos no estudo citado, um mercado de trabalho que não valoriza a formação.