segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Credibilidade e isenção

O Eurostat fez as contas aos trabalhadores dos Estados na União Europeia. Os números mostram que Portugal está em primeiro lugar em termos de funcionários públicos ‘per capita’. Mais um argumento a favor da reestruturação da Administração Central.

Nos últimos tempos têm sido desmistificados e desmascarados certos chavões infundados sobre o emprego público e o sector público em Portugal. Soube-se, por exemplo, que a produtividade do sector público é superior à do sector privado e que as remunerações que o patrão Estado paga são inferiores às que paga o patrão do sector privado, realidade fundamentada em estatísticas e estudos efectuados por entidades credíveis e independentes e rebatendo o “Vox populi”, fruto da propaganda orientada por sectores interessados em disseminar a ideia do funcionário público “malandro” e “principescamente pago”.

Habituados que estamos a estas manobras de diversão, que distorcem os números e as estatísticas, não me espanta a manchete do Correio da Manhã de hoje: há que recuperar espaço perdido diante da opinião pública portuguesa e nada melhor do que apresentar um estudo com a chancela do EUROSTAT. Mas a manipulação de dados torna-se por demais evidente. Não conheço o estudo, mas sei que basta, por exemplo, considerar os militares e forças de segurança como funcionários públicos para que o resultado obtido seja completamente diferente.

A evidência de manipulação ganha contornos bem definidos se observarmos este quadro, também com base em números do Eurostat para o ano de 2004, onde podemos ver que Portugal é o 3º país da União Europeia com menor peso de funcionários públicos na população activa. A realidade não pode ter mudado tão abruptamente em apenas 1 ano.
Curioso será observar que este quadro faz parte de um estudo noticiado pelo mesmo “Correio da Manhã”, no início de 2006. Assim é o jornalismo isento dos nossos dias.

Portugal tem mais funcionários públicos que a Espanha e o Luxemburgo, mas menos que o resto dos Estados-membros da União Europeia.