terça-feira, 14 de novembro de 2006

Era uma vez... e 3 dias depois.

Quantas e quantas vezes, na minha infância, me perguntei por que raio é que as histórias infantis que lia tinham sempre que terminar num abrupto FIM e não voltava a saber dos destinos dos meus heróis. Um cruel “Viveram muito felizes para sempre e tiveram muitos filhinhos”, nunca sabia quantos filhinhos, se tinham sido meninos ou meninas, se o príncipe tinha sempre tratado bem a princesa, se a tinha ou não traído com amantes, ou se ela o teria feito. Nada sobre se os heróis eram mesmo bons ou se os maus eram mesmo maus, tudo esbarrava naquele intransponível FIM, ficando tudo em aberto, sem satisfazer a curiosidade fervilhante do pequeno leitor.

Mal sabia eu que, passados muitos, muitos anos, veria publicado um livro no mesmíssimo dia em que se publica também a história do que aconteceu passados apenas três dias do “FIM” que, apesar de não ter sido um “felizes para sempre”, foi um FIM. E FIM é FIM. Que bom teria sido poder ter lido, umas linhitas que fossem, sobre a Bela Adormecida ou sobre a Branca de Neve, três diazitos depois daquele malfadado FIM!

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“Percepções e Realidade’. Assim se intitula o livro apresentado ontem por Pedro Santana Lopes, onde relata a sua versão da queda do Governo que liderou. O ex-primeiro--ministro acusa “conjugação de interesses”, aponta Cavaco Silva como um dos protagonistas, e traça duras críticas a Jorge Sampaio.»

Três dias depois…

Quatro das cinco empresas que integram o consórcio vencedor do concurso do Sistema Integrado das Redes de Segurança e Emergência de Portugal (SIRESP) foram alvo de várias buscas da Polícia Judiciária, ordenadas pelo procurador-geral adjunto Azevedo Maia.

O ex-procurador-geral da República Souto Moura encarregou aquele magistrado do Ministério Público de esclarecer os contornos do negócio que os ex-ministros da Administração Interna e das Finanças, Daniel Sanches e Bagão Félix, respectivamente, assinaram três dias após as eleições legislativas de 2005. O objectivo é apurar se houve ou não tráfico de influências e acesso indevido a informação privilegiada. (…)
Desta vez, será que, nesta história, saberemos se os bons são mesmo bons e se os maus são mesmo maus, ou será mais um daqueles "FIM" em que vivem todos muito felizes para sempre, sem que nunca mais ninguém saiba mais nada sobre os seus heróis?