quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Guerra é guerra

A operação que a polícia espanhola desenvolveu recentemente, no seguimento de investigações em torno de um caso de branqueamento de capitais, sobre agências do BES em Espanha e os arredondamentos (para cima, claro) que são aplicados aos empréstimos à habitação pela banca e por si apropriados indevidamente, tiveram o condão de trazer a público o tema dos privilégios do sector bancário em Portugal. Um começo apenas, ou simplesmente uma operação de cosmética, uma vez que a proposta governamental avançada apenas reduz, não elimina, o tratamento fiscal muito favorável com que o estado português mima este sector e que o levantamento do sigilo bancário, esse, nem está em discussão. Em seu lugar podemos ler mais uma bizarria daquelas a que já estamos habituados, propõe-se uma maior fiscalização da legalidade de aplicações em “”offshore”. A menos que Sócrates tenha alguma fórmula mágica, questiono-me como será isto possível, se os “offshore” existem precisamente para possibilitar operações que escapam ao controlo dos estados. Não seria mais fácil controlar o que é controlável e avançar com o levantamento do sigilo bancário?

Observe-se e registe-se, no entanto, a forma como esta operação sai na imprensa, “uma guerra aberta à banca”:



(…) a aproximação da taxa efectiva de IRC da banca à que é cobrada, em média, às empresas, fixando-a agora entre os 18% e os 20%. Actualmente, a banca paga entre 15 e 17%. (…)
Quem escreveu o artigo esqueceu-se de mencionar que a taxa aplicada às empresas é de 25%, a diferença dá origem ao seguinte: