Temos aqui insistido no tema da empresarialização de serviços públicos, voltamos hoje ao tema com novo facto que contradiz a tese sustentada de que, só pelo facto de existir uma gestão privada e empresarial, melhoram os níveis de eficiência e diminuem os gastos e desperdícios. A realidade demonstra precisamente o contrário e deve ser relembrada em futuros episódios em que se defenda algo similar, debaixo do mesmo falso argumento. Os resultados de mais esta aventura aí estão, alguém terá ganho com ela e não foram nem os utentes, nem as contas públicas.
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A empresarialização dos hospitais públicos traduziu-se numa melhoria relativa da sua eficiência e qualidade, mas não conteve o endividamento, nem os défices, que continuam a aumentar. Esta a conclusão central de dois relatórios do Tribunal de Contas sobre os modelos de financiamento e gestão dos hospitais do sector empresarial do Estado no período compreendido entre 2001 e 2004, ontem divulgados. E, se as auditorias a três hospitais servirem de exemplo, o grau de satisfação dos utentes baixou (ver caixa).
O Tribunal de Contas assinala que "nos dois primeiros exercícios de funcionamento (2003 e 2004) os resultados líquidos globais dos hospitais SA revelaram-se negativos", tendo o défice económico crescido 82%, como resultado do agravamento da despesa total do exercício. Uma tendência que prosseguiu. Apesar do ano de 2005 não constar do período auditado, o Tribunal refere já que ascendeu a 20 o número de hospitais SA com resultados negativos, no ano passado, "aumentando em relação a anos anteriores".
A manter-se a persistência dos défices, fica um alerta: "pode exigir um financiamento líquido deste subsector por parte do Estado" que "poderá conduzir a um eventual agravamento do défice das administrações públicas na perspectiva das contas nacionais".(...)"