quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Sobre a Saúde

Um médico tarefeiro custa, em média, 40 euros por hora a uma unidade de saúde, mas os valores podem chegar aos 60 em algumas especialidades. Um montante que representa o dobro do que é pago pelo trabalho acrescido aos médicos do quadro - entre 12 e 19 euros, em regime de 35 horas semanais, ou entre 17 e 29 euros, no caso de terem exclusividade. (…)”

A 12 de Outubro referíamo-nos aos números da saúde. Estes, na parte relativa à despesa, mostram que cerca de 40% dos gastos se destinam a despesas de pessoal e 27% a medicamentos, ocupando as duas rubricas um peso de cerca de dois terços do total. Hoje trazemos a este espaço este artigo do DN, que nos dá conta de um outro aspecto desta questão, a deficiente gestão de recursos humanos no sector da saúde, a que não serão estranhos tanto a fraca qualificação dos dirigentes hospitalares, como uma legislação que limita novas contratações, como ainda o peso de um lobby importante na nossa sociedade, intocável, uma ordem dos médicos que demora uma eternidade na homologação curricular de médicos estrangeiros, vedando-lhes assim o exercício de medicina no nosso país.

Não faz sentido deixar que, por imperativos orçamentais, se poupe na qualidade de cuidados de saúde, limitando os exames complementares de diagnóstico e racionando o uso de material de consumo clínico, acompanhado de uma política que fixa taxas moderadoras aos utentes e, ao mesmo tempo, deixar de lado a aplicação de uma política de recursos humanos racional que evite o pagamento de exorbitâncias em remunerações de pessoal. Um rigoroso planeamento dos quadros de pessoal permitiria minimizar o recurso sistemático a tarefeiros e a horas extraordinárias, muito mais caras, mas exigiria que a nomeação dos gestores do sector não se baseasse apenas em critérios de ordem político-partidária, exigir-lhes-ia conhecimentos técnicos e capacidade de gestão. Deixar este aspecto inalterado, financiando-o com cortes em despesas de menor expressão no orçamento e importantíssimas para uma boa qualidade dos serviços prestados é eternizar e alimentar uma ineficiência. Permitir que a Ordem dos Médicos demore o tempo (anos) que demora a reconhecer o diploma a médicos estrangeiros é dar espaço ao argumento da falta de médicos.