terça-feira, 24 de outubro de 2006

Dois casos completamente distintos

Ao ler o artigo que abaixo republicamos, imediatamente me lembrei de alguém que todos conhecemos bem. Alguém que prometeu que não ia subir impostos, que não ia cobrar portagens nas SCUT, alguém que deu um toque “reformista” ao conceito de socialismo, compatibilizando-o com uma saúde tendencialmente paga, com menores prestações sociais, com emprego “flexível” e com o condão de promover uma absoluta sintonia entre, por exemplo, actualizações no preço da energia eléctrica, aumentos salariais, taxa de inflacção e culpabilização do consumidor.
Ressalta, porém, uma enorme diferença entre a personagem que menciono e o também primeiro-ministro e também socialista Ferenc Gyurcsány: Sócrates não sabia o verdadeiro estado do nosso país quando fez as suas promessas eleitorais e, lá diz o povo, quem diz a verdade não merece castigo. O húngaro, esse sim, sabia.


"As piores suspeitas confirmaram-se e o 50.º aniversário do levantamento anti-soviético, em Budapeste, na Hungria, descambou em violência, repetindo-se os incidentes do mês passado.O dia começou de forma relativamente calma, com altos dignitários estrangeiros a assistirem às cerimónias oficiais no parlamento húngaro. O espaço foi fechado ao público, enfurecendo muitos elementos da direita húngara que pretendiam continuar a exigir a demissão do primeiro-ministro socialista Ferenc Gyurcsány, um mês depois deste ter admitido que mentiu ao eleitorado para voltar a ganhar as eleições.Elementos mais radicais voltaram juntaram-se nas principais praças de Budapeste, atirando pedras contra a polícia, que desta vez reagiu com mais determinação.Correm rumores de quatro feridos graves, com a polícia a disparar balas de borracha, gás lacrimogéneo e tinta azul para identificar os agitadores.Por trás das dezenas de radicais que se amotinaram, dezenas de milhares de apoiantes do maior partido da oposição – o Fidesz – olhavam com espanto para os acontecimentos."

Transparência

Desde a revolução de Abril que os partidos políticos, ano após ano, apresentam irregularidades no seu financiamento, qualquer que seja a lei que esteja em vigor. Todos os partidos, todos os anos, sem excepções e sem que se dê especial destaque a este assunto. Os partidos desvalorizam-no, a maioria dos eleitores ignoram-no, mas o tema é sério. Senão, pensemos como avaliar a independência do posicionamento de um qualquer partido relativamente a determinada matéria e como avaliar se esse posicionamento não foi condicionado por quem financiou o partido A ou o partido B.
A questão colocada é, basicamente, a razão da necessidade de regulamentação do financiamento dos partidos. Uma avaliação que deve estar ao alcance de todos, com transparência e sem suspeições, em respeito pelas regras que devem imperar em democracia.


"
PS e CDS não apresentaram ao Tribunal Constitucional os dados sobre o financiamento das respectivas campanhas através de angariação de fundos prevista na lei. Já os dados sobre os gastos do próprio partido com as respectivas campanhas não foram entregues pelo PS, PSD e CDS-PP, BE e CDU. Estas são algumas das ilegalidades e irregularidades detectadas pelo Tribunal Constitucional nas contas das campanhas dos 11 partidos ou coligações - PS, CDS-PP, PSD, BE, PDA, CDU, PCTP/MRPP, PNR, PH, PND e POUS - concorrentes às eleições legislativas de Fevereiro de 2005." in Jornal "Público"