"O Ministério da Saúde vai quase duplicar as receitas provenientes das taxas moderadoras cobradas aos utentes no próximo ano, o que será feito através da criação das taxas de utilização - valores que passarão a ser cobrados para internamentos e cirurgias de ambulatório. Contas feitas, Correia de Campos quer arrecadar 16 milhões de euros. (...)"
Os cortes na saúde sucedem-se, cegos, como se de uma mercadoria se tratasse, como se a saúde fosse um negócio e o lucro o seu objectivo principal. Encerram-se unidades prestadoras de serviços de saúde, agora mais longe dos cidadãos, corta-se em exames complementares de diagnóstico, em material de consumo clínico, com evidentes perdas na qualidade de serviços prestados aos cidadãos (aqui pode consultar o que diz a nossa CRP sobre o tema).
À margem de todo este processo continuam dois vértices importantes da questão (1): o facto de em Portugal se praticarem dos preços mais altos de medicamentos na Europa e a promiscuidade do exercício de medicina, por parte de alguns médicos, simultaneamente no público e no privado, com evidentes perdas para um dos lados. E quem nunca ouviu falar nisto?
Assinalável o facto de, apesar dos dois intocáveis, a fórmula adoptada já dar lucro:
"De acordo com os dados apresentados pelo Governo, relativos às contas de Agosto - já fechadas -, o SNS regista um lucro de 336,2 milhões de euros, mas prevê-se que, no final do ano, desça para 35 milhões. "
E faça-se o balanço, de quem ganhou e de quem perdeu com todo o processo.
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