Com a primeira emissão da SIC, faz hoje 14 anos, a televisão deixou de ser monopólio do Estado. Para o bem ou para o mal, a forma de fazer televisão mudou. Novos estilos, novas formas de estar, esperança numa melhor qualidade emergente da concorrência entre estações até aí inexistente, promessas de pluralidade na informação que, numa fase inicial, até foi conseguida. Depois caiu-se num outro extremo.
A pouco e pouco foram sendo introduzidos novos conceitos, como o do “o lado humano da notícia”, a vertente pimba da informação, e o de que a televisão não foi feita para formar, um modelo bem retratado nas palavras da actual sub-directora de informação da TVI que, queiramos ou não, é uma guru na matéria: “Estou-me nas tintas para os pseudo-intelectuais que por aí pululam. As pessoas quando chegam a casa à noite querem descontrair e esquecer a vida miserável que levam lá fora. A função da TV é essencialmente distractiva. A informação deve ser dada nas escolas e a formação cabe às famílias.”
Com estes conceitos foi-se formando um novo paradigma de televisão, não só nas privadas, mas também na estação pública. Esta foi indo a reboque das outras duas, mais no pior que no melhor, esbatendo-se o conceito de serviço público de televisão, ao entrar em concorrência com as privadas no modelo pimba. Marginalizando-se a função de divulgação cultural, cívica e política a um insuficiente canal 2, ao invés de se orientar por critérios não comerciais e de assim marcar a diferença.
Foi assim que, na nova TV , deixámos de ver na abertura dos telejornais a análise política nacional e internacional e notícias de medidas dos sucessivos governos e a actualidade parlamentar (cuja cobertura é cada vez mais ausente), substituídos por factualidades como tragédias, presentes ou futuras, nascimentos ou casamentos reais e outras bizarrias que, apesar de efémeras e perfeitamente colaterais, merecem a maior das atenções de uma plateia vibrante. A instrumentalização da informação que era apontada aos sucessivos governos, à data do aparecimento da televisão privada, foi complementada por uma outra, em que os grupos económicos detentores das estações privadas concorrem com o poder político. As diferenças são notadas apenas quando as posições de ambos não coincidem ou quando surge um qualquer fait-divers que distraia a populaça de um qualquer tema incómodo para o respectivo grupo.
No entretenimento, a concorrência trouxe concursos, telenovelas, reality-shows e toda uma panóplia de piroseiras e personagens não menos medíocres, relegando para altas horas da noite os filmes e séries de qualidade. O resultado aí está, 3 canais generalistas, em sã concorrência, que oferecem um mesmo produto, um mesmo formato, maravilha que poderá constatar mais logo, quando chegar a casa, ao ligar o seu estupidificador.
Setenta dias depois
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A 6 de Janeiro, com origem em Hong Kong, começaram a circular as primeiras
notícias no Ocidente sobre uma misteriosa pneumonia atípica que já havia
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Há 4 horas
