Ontem vimos que, não obstante os lucros das nossas maiores empresas cotadas em bolsa terem aumentado 56,5% em média, as actualizações salariais praticadas nessas empresas foram apenas de 2,6%, também em média, nem sequer cobrindo a inflação. Hoje, num artigo do DN on-line intitulado “Está na altura de reduzir os custos do trabalho”, o responsável máximo pela política monetária europeia, Jean-Claude Trichet, em entrevista, dá a fórmula mágica para os países compensarem as perdas de competitividade resultantes da política cambial seguida de um Euro forte, moderação salarial e aumento de impostos:
“A produtividade do trabalho é certamente decisiva. Neste domínio, as reformas estruturais tornam possível retirar os benefícios das novas tecnologias e processos. É também importante melhorar os níveis dos custos unitários de trabalho através da moderação nos salários nominais.”
(…)
“Depois tem-se a questão relacionada com a situação orçamental. O objectivo é muito claramente a implementação rigorosa do Pacto de Estabilidade e Crescimento. E a forma como isso é feito é logicamente pela redução da despesa pública e depois pelo aumento de impostos quando necessário.”
Já no Jornal de Notícias, pode ler-se:
“Cada vez mais cedo, as promoções de Verão aparecem coladas às montras das lojas de moda. São já várias as que anunciam preços mais baixos e as outras preparam-se para o fazer nos próximos dias. Nem as lojas de gama média e alta escapam às promoções, duas vezes por ano.”
Aqui está a moderação salarial na sua plenitude. Seguindo as recomendações do Sr. Trichet, teremos saldos todo o ano ou o BCE vai inventar o consumo sem salários?
“A produtividade do trabalho é certamente decisiva. Neste domínio, as reformas estruturais tornam possível retirar os benefícios das novas tecnologias e processos. É também importante melhorar os níveis dos custos unitários de trabalho através da moderação nos salários nominais.”
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“Depois tem-se a questão relacionada com a situação orçamental. O objectivo é muito claramente a implementação rigorosa do Pacto de Estabilidade e Crescimento. E a forma como isso é feito é logicamente pela redução da despesa pública e depois pelo aumento de impostos quando necessário.”
Já no Jornal de Notícias, pode ler-se:
“Cada vez mais cedo, as promoções de Verão aparecem coladas às montras das lojas de moda. São já várias as que anunciam preços mais baixos e as outras preparam-se para o fazer nos próximos dias. Nem as lojas de gama média e alta escapam às promoções, duas vezes por ano.”
Aqui está a moderação salarial na sua plenitude. Seguindo as recomendações do Sr. Trichet, teremos saldos todo o ano ou o BCE vai inventar o consumo sem salários?
