“As principais empresas cotadas na Bolsa portuguesa atribuíram aos seus trabalhadores em 2006 aumentos salariais abaixo da inflação prevista. Apesar de a maioria dos aumentos se situar acima do valor de referência para a função pública - 1,5% - os valores-base anunciados por metade das empresas do PSI-20, o índice de referência da Euronext Lisboa, não ultrapassaram os 2,6%, a inflação prevista para este ano. Em média, os aumentos foram de 2,3%, nas 17 empresas que responderam ao DN.
A falta de negociação colectiva e a presença no índice de empresas provenientes de sectores de actividade onde ainda não se criou capacidade reivindicativa por parte dos seus empregados justificam aumentos compa- rativamente abaixo do desempenho das empresas, especialmente ao nível dos resultados gerados. Em 2005, os resultados líquidos destas 20 empresas registaram um crescimento médio de 56,5%.”
Uma descida nos salários reais e um forte aumento dos lucros, logo, da competitividade das maiores empresas portuguesas. 2,6% de aumentos salariais contra 56,5% de aumento dos resultados líquidos são números reveladores de uma realidade que o discurso oficial contradiz. Espelham o tipo de competitividade que se quer/está a implementar, uma competitividade baseada em salários baixos e relações laborais precárias, como indicia a alusão a falta de poder reivindicativo.
Mas, a quem serve esta competitividade, em que a um crescimento dos lucros de 56,5% correspondem actualizações salariais que nem sequer cobrem a taxa de inflação? Que conceito de desenvolvimento está aqui presente? E qual a legitimidade da existência de regimes fiscais de excepção como os que são aplicados ao sector bancário?
A realidade é, por enquanto, esta. Outra seria se não existissem os tais malvados “direitos adquiridos” consagrados na nossa Constituição e cuja supressão é reclamada por cada vez mais sectores da nossa sociedade. Neles se inclui, por exemplo, a impossibilidade do empregador baixar o salário ao seu empregado. Sem esse "entrave" seriamos, não tenho dúvidas, ainda mais competitivos.
A falta de negociação colectiva e a presença no índice de empresas provenientes de sectores de actividade onde ainda não se criou capacidade reivindicativa por parte dos seus empregados justificam aumentos compa- rativamente abaixo do desempenho das empresas, especialmente ao nível dos resultados gerados. Em 2005, os resultados líquidos destas 20 empresas registaram um crescimento médio de 56,5%.”
Uma descida nos salários reais e um forte aumento dos lucros, logo, da competitividade das maiores empresas portuguesas. 2,6% de aumentos salariais contra 56,5% de aumento dos resultados líquidos são números reveladores de uma realidade que o discurso oficial contradiz. Espelham o tipo de competitividade que se quer/está a implementar, uma competitividade baseada em salários baixos e relações laborais precárias, como indicia a alusão a falta de poder reivindicativo.
Mas, a quem serve esta competitividade, em que a um crescimento dos lucros de 56,5% correspondem actualizações salariais que nem sequer cobrem a taxa de inflação? Que conceito de desenvolvimento está aqui presente? E qual a legitimidade da existência de regimes fiscais de excepção como os que são aplicados ao sector bancário?
A realidade é, por enquanto, esta. Outra seria se não existissem os tais malvados “direitos adquiridos” consagrados na nossa Constituição e cuja supressão é reclamada por cada vez mais sectores da nossa sociedade. Neles se inclui, por exemplo, a impossibilidade do empregador baixar o salário ao seu empregado. Sem esse "entrave" seriamos, não tenho dúvidas, ainda mais competitivos.
