quarta-feira, 14 de junho de 2006

O Efeito Galinha

Um episódio da minha adolescência, que recordo muitas vezes, passou-se durante uma visita de estudo a um aviário, ali na zona de Tondela. À entrada, depois de nos pedirem que passássemos os pés por uma solução anti-séptica, alertaram-nos para a necessidade de termos cuidado com o barulho que fazíamos, para não provocarmos uma onda de pânico entre as galinhas. O processo foi-nos depois explicado: se uma galinha se assustasse, o pânico poderia alastrar em onda, por todo o aviário e, quando terminasse, haveria um prejuízo de várias galinhas mortas por ataque cardíaco.

Este que ficou para sempre, para mim, como o “efeito galinha”, tenho-o identificado ao longo da vida, noutros galináceos, tanto em repercussões de traduções livres de um simples “cocoro-cocó” em ondas de histeria colectiva, em que o “cocoro-cocó”, por mais desprovido de sentido que seja, logo é imitado por outros elementos da espécie, como também numa frase característica destes seres: “eu faço se todos fizerem”, em vez do “eu faço porque a minha consciência assim mo indica”. Desconheço se esta é uma espécie poedeira.