segunda-feira, 12 de junho de 2006

Os TPC e as desigualdades

Há cretinices que me põem doido. Esta é uma delas e tem a agravante de ter sido dita pela Ministra da Educação: “os TPC são uma forma de reprodução das desigualdades sociais". Lá que logo apareçam “investigadores” com “estudos” como este que fundamentem esta ou qualquer outra enormidade dita por um governante, até o entendo, as lógicas de promoção e ascensão assim o impõem, que uma Ministra o faça, considero-o inaceitável.
Uma Ministra deve, no mínimo, ter uma ligeira ideia do objecto das suas políticas. Maria de Lurdes Rodrigues deveria ter uma, pelo menos, ligeira ideia de como funciona uma escola e, neste caso particular dos trabalhos de casa (TPC), deveria saber para que servem. Não sabe.
Os TPC servem para promover a autonomia e iniciativa na aprendizagem, a autodisciplina na gestão de tempo entre obrigações e lazer, incentivar a curiosidade de investigação dos alunos, servindo ainda como ferramenta para o professor ter um feed-back do grau de aprendizagem de cada aluno, por forma a adaptar estratégias. O ensino não é uma injecção ministrada em dose diária, nem o professor é um cirurgião que abre a cabeça dos seus alunos para lá colocar matéria, nem o processo de aprendizagem pode excluir o trabalho dos alunos, nem o sucesso depende apenas dos docentes.
O argumento de que as famílias menos favorecidas não têm capacidade para auxiliar os filhos, quer por falta de conhecimentos para o fazerem directamente, quer por falta de recursos para pagar a quem o faça em seu lugar, é uma completa idiotice. Será inconsciente o pai ou mãe que substitua o seu filho na realização dos TPC, desvirtuando o seu objectivoque não é, seguramente, a de provocar stress aos meninos nem a de lhes roubar tempo de lazer e muito menos a de reproduzir as desigualdades sociais. Excepções de professores que exagerem na dose de TPC que marcam, certamente que as haverá, mas não se confunda a árvore com a floresta, sob pena de agravar uma das causas de instabilidade fomentada pela inconsciência e inconsequência da palmatória de uma Ministra incapaz que, tal como aqueles alunos que fingem fazer os TPC e, dessa forma, demonstrar conhecimentos, recorre a todos os meios para camuflar a sua incapacidade.

Fusão sim, fusão não

Contrastante com a recente decisão de Manuel Pinho, Ministro da Economia, relativamente à compra da Auto-estradas do Atlântico pela Brisa, que permitiu, anulando a decisão da Autoridade da Concorrência, pode ler-se no Jornal de Negócios de hoje que “Regra da concorrência inviabiliza fusão entre Optimus e TMN”. A posição assumida, de que é entendimento deste Governo que as empresas precisam de crescer para ganhar escala competitiva e que o Governo deve intervir para facilitar esse caminho (mesmo que isso sacrifique os interesses do consumidor), desta vez não foi tomada. Será isto incoerência ou uma governação imaginativa? Porque nada acontece por acaso, alguma explicação haverá.