quarta-feira, 7 de junho de 2006

Um conceito de poder

Se é impressionante a arrogância e inconsequência desta Ministra da Educação, não o é menos o conceito de emprego de um governo dito socialista. Numa época marcada pela prepotência de uma Ministra, são anunciadas medidas implementadas à custa de mão-de-obra barata recrutada entre licenciados, a quem é pago o salário mínimo por trabalho qualificado. É esta a competitividade de que se fala? Não, muito obrigado! O mundo merece ter mais dignidade.

"A oposição responsabilizou hoje a ministra da Educação pelo clima de instabilidade e descontentamento nas escolas, uma questão desvalorizada por Maria de Lurdes Rodrigues, que afirmou não se lembrar de alguma vez ter havido um ambiente pacífico.
Na comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, que contou hoje com a presença de toda a equipa ministerial, os deputados dos partidos da oposição criticaram algumas das medidas do Ministério da Educação (ME), nomeadamente as propostas de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), considerando que estas geraram um «clima de antagonismo».

«Parece-nos difícil que se consiga fazer grandes reformas quando foi criado um clima de antagonismo em relação aos professores», afirmou o deputado do CDS-PP Diogo Feio, questionando a ministra sobre as medidas que pretende tomar para alterar o sentimento de insatisfação entre os docentes.

Da parte dos sociais-democratas vieram igualmente críticas à actuação do ministério, com o deputado Emídio Guerreiro a afirmar que «a situação [nas escolas] é pior hoje do que há um, dois ou três anos atrás».

Também Francisco Madeira Lopes, do partido ecologista «Os Verdes», responsabilizou a ministra pelo descontentamento vivido no sector, alegando que «o ME tem declarado que os professores são uns malandros, que não cumprem e não estão preocupados com os alunos e os resultados».

Confrontada com estas críticas, Maria de Lurdes Rodrigues lamentou que algumas das intervenções dos deputados «resultem apenas da leitura dos jornais do dia ou da semana, sem qualquer preocupação em aprofundar o que está em causa», e desvalorizou o ambiente de insatisfação nas escolas.

«Não sei em que momento da história houve um clima pacífico nas escolas, mas o clima não é o principal problema da Educação. O principal problema é o insucesso. Em escolas com bom clima podemos ter piores resultados e em escolas com mau clima, por exemplo por ser mais competitivo, os resultados podem ser melhores», afirmou a ministra.

Maria de Lurdes Rodrigues foi hoje ao Parlamento, acompanhada dos dois secretários de Estado, falar das principais medidas de preparação do próximo ano lectivo, destacando o plano de enriquecimento curricular no primeiro ciclo, que é apresentado hoje à tarde em Matosinhos.

De acordo com este plano, as escolas da antiga primária vão ter obrigatoriamente de estar abertas entre as 15:30 e as 17:30, oferecendo às crianças nas dez horas semanais de prolongamento de horário actividades extracurriculares gratuitas, entre as quais o Inglês e o apoio ao estudo.

Além destas duas actividades, que serão obrigatórias, as escolas terão autonomia para definir juntamente com as autarquias ou associações de pais outras ocupações, como o desporto e o ensino musical, tendo de apresentar à tutela um plano de enriquecimento curricular até 15 de Agosto.

Com um financiamento previsto de 250 euros anuais por aluno, os agrupamentos escolares em conjunto com as entidades promotoras contratam localmente os professores, aproveitando recursos locais como escolas de música e equipamentos desportivos.

Para o Bloco de Esquerda, este modelo conduz a uma privatização do ensino, já que «jovens licenciados são contratados ao preço da chuva» em vez de serem recrutados os docentes com horário zero ou que não conseguiram colocação no concurso nacional.

«Nas matérias extracurriculares não há nenhuma razão para não se adoptar o modelo da contratação local. Não se trata de um modelo de privatização, mas de uma aposta na criação de dinâmicas locais», refutou a ministra, em declarações aos jornalistas.

No final da sessão, Maria de Lurdes Rodrigues adiantou que «o país continua a ter enormes dificuldades nas áreas de apoio à família» e admitiu a possibilidade de as escolas do primeiro ciclo virem a assegurar actividades de ocupação de tempos livres durante as interrupções lectivas, como as férias de Natal e da Páscoa.

Relativamente às críticas da oposição quanto à proposta de alteração ao ECD, que prevê entre outras coisas a participação dos pais na avaliação dos docentes e a imposição de quotas na progressão na carreira, o secretário de Estado Adjunto, Jorge Pedreira, ressalvou que «não há soluções fechadas» e que a matéria está sujeita a uma longa negociação.

No entanto, o responsável não mostrou abertura do ME para abdicar das quotas, considerando que «sem mecanismos de controlo, não é possível introduzir uma diferenciação», que permita premiar o mérito.

Diário Digital / Lusa"

Divulgação: XV Feira Medieval de Coimbra

" Coimbra vai, no próximo Sábado, dia 10 de Junho, viajar ao passado. A máquina do tempo será, mais uma vez, a feira franca que se instalará na Sé Velha, transportando o velho pátio ao reinado de D. Fernando, decorria o último quartel do século XIV. O ferreiro, o oleiro, o latoeiro, a tecedeira, o almocreve e outras tantas personagens da vida comercial de então encarregar-se-ão de emprestar ao encontro o seu cunho mercantil. Já os músicos, os saltimbancos, os bobos, os malabaristas, os fantoches e outros, cumprirão o papel de animar uma feira que, como outrora, aliava o ócio ao negócio. O clero, os nobres, os burgueses, o pedinte, o louco e as feiticeiras e suas mezinhas preencherão, como em tempos, o cenário de uma reunião social marcada pelas presenças de todos quantos habitavam a cidade e arredores, marginais ou não. Ao todo serão mais de 500 figuras que darão vida à feira.Iniciador, como alguns já dizem, da «moda das feiras medievais», este encontro foi a inspiração para centenas de outros que têm lugar um pouco por todo o país. Mas para bom grado dos seus organizadores - primeiro apenas o INATEL, com o apoio da ADDAC, depois também a Câmara Municipal de Coimbra - ele mantém um rigor científico que o distingue de todos os outros." (ver mais aqui)

Barómetro

O Partido Socialista continua a recolher a maioria das intenções de voto dos portugueses, com 42%, doze pontos acima do PSD, segundo o Barómetro da TSF e do Diário de Notícias” in Expresso online

Segundo a sondagem referida no artigo, se as eleições fossem hoje, os resultados seriam:

PS --- 42%
PSD --- 30%
Bloco de Esqerda – 8,5%
PCP --- 8,2%
CDS-PP --- 7%

Estarão os portugueses contentes com a governação Sócrates ou a sondagem reflecte o descrédito nas alternativas postas à sua disposição? Na nossa opinião, a par da fraca cultura política do eleitorado, que se traduz num alheamento e desinteresse bastante visível em tudo o que se relacione com a esfera política, também a falta de alternativas.
São perfeitamente identificáveis dois grandes grupos na esfera político-partidária: um grupo composto pelos 3 partidos que se têm alternado no poder (PS, PSD e PP), com políticas de tendência neo-liberal e vícios de instrumentalização do aparelho do Estado, bem camuflados com um discurso anti-estatizante e im segundo grupo composto por 2 partidos (BE e PCP), com um discurso extremado que lhes condiciona a credibilidade como alternativa de poder, embora possamos verificar uma lenta aproximação do Bloco de Esquerda ao centro, onde é cada vez mais notório um vazio. Este resulta de no nosso espectro politico-partidário não haver nenhum partido social-democrata ao estilo escandinavo, defensor de um modelo de desenvolvimento assente no equilíbrio entre os 3 vectores desenvolvimento económico, desenvolvimento social e desenvolvimento ambiental e em que o combate às desiigualdades e a defesa de um estado social capaz de assegurar o bem-estar geral são a linha de rumo.