sexta-feira, 2 de junho de 2006

Uma pérola, à PB

Teixeira dos Santos, há minutos, em entrevista à RTP:

“Não partimos para esta reforma com nenhuma meta quantificada prédefinida.”

Uma questão homeopática

Se a homeopatia não é apenas uma moda que actua por mera sugestão, porque não é usada pela veterinária?

Uma mobilidade muito, muito especial

“A situação de mobilidade especial (SME) vai ter três fases, duas em que o trabalhador não poderá exercer outra actividade remunerada e uma terceira – a chamada fase de compensação – na qual poderá acumular os 4/6 do vencimento base de funcionário público com um salário obtido no sector privado. Como não há um prazo definido para que o funcionário deixe de estar em situação de mobilidade especial e reinicie funções no sector público isto significa que esse funcionário pode acumular dois salários durante tempo indeterminado, apesar de ir sofrendo reduções.

A isto, Teixeira dos Santos chamou “licença extraordinária” (que terá de ter uma duração nunca inferior a um ano). As remunerações públicas auferidas sob esta licença extraordinária também vão ter variações ao longo dos anos, que não dependerão do salário no privado.” In Correio da Manhã

A quem convirá a reestruturação?

a) Ao Estado e às contas públicas, não é, certamente: o Estado continuará a pagar a funcionários que deixarão de lhe prestar serviços. Estes serviços, por sua vez, continuarão a ser necessários e terão de ser assegurados por alguém: serão pagos uma segunda vez, a privados.
b) A empregabilidade de qualquer funcionário, a partir de certa idade, reduz-se drasticamente. Na conjuntura de desemprego actual, não serão muitos os que conseguirão emprego no sector privado e pessoas com capacidade de produzir e dar o seu contributo à sociedade através do seu trabalho ver-se-ão numa situação de paragem forçada, com o seu rendimento reduzido em um terço.
c) O Estado pagará formação que depois não será aproveitada na melhoria dos serviços que presta. Desperdício, portanto.
d) A redução de rendimentos do trabalho de b) terá efeitos na economia, provocando desemprego também no sector privado, pelo efeito da redução do consumo retratada em posts anteriores.

Ganharão aqueles que saírem do sector público consigam colocação no privado, ao acumularem os rendimentos dos seus novos empregos com os dois terços da anterior remuneração, que agora lhes é paga para se manterem inactivos. No limite poderá acontecer que o trabalhador faça precisamente o mesmo que fazia antes, agora no privado, recebendo pelo que faz e pelo que deixou de fazer.
Finalmente, a grande razão desta reforma, ganharão ainda os felizes contemplados com a concessão dos serviços a privatizar, para quem esta mobilidade especial será muito, mesmo muito especial. País bizarro, este país do Burro.