quarta-feira, 31 de maio de 2006

Contra a malandragem, privatize-se

Vejam como se os deixassem, privatizavam tudo. Mar, praias, costa, rios, ambiente, floresta. Era só deixá-los que ficava tudo, tudo privatizadinho! Para eles,claro, contra a “malandragem”.

Vedação no Cabo Raso retirada sob protesto de Champalimaud

A vedação com arame farpado do farol do Cabo Raso, colocada pela administração da Quinta da Marinha SGPS (QMSGPS), foi removida ontem por ordem do Ministério do Ambiente, sob protestos do administrador e proprietário dos terrenos, Miguel Champalimaud.

Champalimaud deslocou-se ao local com o advogado para fazer um "embargo extrajudicial" à destruição da cerca e respectivos suportes, e tentou demover a intervenção. "Estão a invadir a minha propriedade e a levar os meus bens. Estamos num Estado de malandragem, as autoridades estão do lado dos bandidos e não há nada a fazer".

A intervenção, que iniciou por volta das 07.30, prosseguiu mesmo com o acompanhamento de Carlos Albuquerque, director do Parque Natural Sintra Cascais (PNSC), do comandante da Capitania, de Mota Lopes, representante do ministério, e pela Polícia Marítima. Miguel Champalimaud, irritado com as movimentações, ainda pediu satisfações ao director do Parque e alegou não ter sido notificado para remover a vedação. "A intervenção vai contra a impugnação judicial intentada pela Quinta da Marinha, que tem efeitos suspensivos e o Parque está a ir contra as decisões do Tribunal", acusa.

Carlos Albuquerque disse que "o ministério indeferiu o recurso da Quinta da Marinha e a intervenção visa repor a legalidade". Para o director do PNSC, "ilegal foi o conjunto de actos feitos junto ao Cabo Raso, que careciam de apreciação prévia e mesmo assim nunca teriam sido aprovados, como a abertura de valas em zonas de domínio público, arranque de vegetação e de espécies endémicas sensíveis e a colocação de vedação e sinalização chocante". Carlos Albuquerque lembrou ainda que aquela é uma área protegida, classificada a nível mundial pela Unesco.
” In Diário de Notícias

Uma estratégia de qualificação

"O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que a prioridade do Governo na aplicação das verbas do próximo Quadro Comunitário de Apoio será destinada à melhoria da qualificação e da formação profissional dos portugueses.

"Neste momento, apenas um quarto da população activa nacional tem habilitações e competências profissionais para competir no mundo global. Este défice de qualificações é o mais grave e o mais difícil de resolver e o que condiciona mais a competitividade nacional", declarou José Sócrates." In Público

É muito do agrado da nossa classe política anunciar milhões, enquadrando a sua aplicação com frases bonitas, do agrado da maior parte da audiência. O Sr. António do talho, a D. Arminda da loja de ferragens e outros que tais logo pensarão no filho de fulano tal ou na sobrinha da vizinha, que estão desempregados “e bem que podiam meter-se num dos novos cursos para ganhar uns cobres que ajudassem lá em casa”. É pouco, quase nada, é o repetir de um erro do passado em que recebemos milhões sem qualquer tipo de proveitos de competitividade e, quando os fundos acabaram, quase nada ficou. Ficaram apenas os desempregados plasmados nas estatísticas que os fundos empregues em formação foram camuflando. Espanha soube aproveitar os fundos comunitários gastos em formação e seria um exemplo a seguir, Portugal não soube e parece que continua sem saber aproveitar as oportunidades.
Não basta gastar milhões em formação. Os cursos de formação não podem existir apenas por existir, a formação tem que ser orientada para objectivos e implementada seguindo estratégias bem definidas que não se adivinham nas palavras de Sócrates.
Neste post de finais do ano passado, apresentámos estatísticas sobre o nível de qualificação dos patrões em Portugal, muito baixa. Porque só aprecia o conhecimento quem dele dispõe, porque só quem tem formação a aprecia, a estratégia tem de passar forçosamente pela formação de empresários, de forma a romper com uma competitividade baseada em salários baixos, alta rotatividade de mão-de-obra e pouca valorização do factor trabalho no processo produtivo, a principal causa do nosso atraso estrutural. Sem estratégia e sem objectivos, o discurso de milhões de Sócrates é oco e as “novas oportunidades” deixam antever um novo descalabro, fruto da inoperância e falta de visão de longo prazo dos nossos governantes.