terça-feira, 30 de maio de 2006

Tempo dos Mais Velhos

A emissão começava às 19:00. Depois de uma boa meia hora com a mira técnica a fazer crescer a ansiedade, chegava o grande momento! O hino da RTP, depois a menina que dizia toda a programação e… Isto, mas a preto e branco e cantada em português pelo Tó Zé Brito. A cores só a colecção de 210 cromos, dos quais faltavam 3 ou 4 para a completar e nunca mais saíam, uma seca.
Quem não se lembra dele? Ei, ei, ei! Quase me esquecia! Era às Terças-feiras! às 7, 25 minutos semanais e nada mais. Nesse tempo os putos brincavam na rua, a televisão começava à tardinha...

Não fui eu, foram eles

"A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, responsabilizou ontem os professores pelo insucesso escolar e a falta de qualificação dos alunos e criticou o funcionamento dos estabelecimentos de ensino.

Na abertura de uma série de seminários, promovidos pelo Conselho Nacional de Educação, no Fórum da Maia, Maria de Lurdes Rodrigues disse que o trabalho dos professores «não se encontra ao serviço dos resultados e das aprendizagens».

Maria de Lurdes Rodrigues lamentou também que a escola não esteja a combater as desigualdades sociais. A título de exemplo, refere o Jornal de Notícias, a ministra referiu-se à organização dos horários escolares que, segundo sublinhou, privilegia os alunos melhores, assim como os filhos de funcionários das escolas." In Expresso

O discurso oficial quer agora fazer esquecer o descalabro que foram as políticas educativas dos últimos anos. As posições extremam-se e incendeia-se a opinião pública contra a classe docente, apelando aos instintos mais baixos, como fica bem visível no final do trecho transcrito.
Nada mais errado que adoptar uma posição deste tipo, por ser impossível melhorar um qualquer sistema de ensino sem contar com a classe docente, sua pedra basilar, assim como o é adoptar à partida uma posição de desculpabilização de alunos e branqueamento das consequências de políticas educativas orientadas para os resultados estatísticos.
Como em todas as classes socioprofissionais, haverá bons e maus docentes, a generalização resultará abusiva sempre que o universo em análise seja tão numeroso como o da classe docente. Mais reduzido, no universo de Ministros e de políticas por eles desenvolvido nos últimos 20 anos, não me lembro de nenhum responsável político que possa classificar sequer de sofrível, foram todos muito, mesmo muito maus, cada um tentou superar o seu antecessor na permissividade e falta de exigência, actualmente quase ausente no nosso ensino. A actual ministra supera-se na mediocridade: para além de ser péssima nas políticas que (des)orienta, é também uma calamidade séria na gestão de pessoas. Em que profissão há motivação quando a entidade patronal responsabiliza directamente todos os seus profissionais pelos insucessos havidos e orienta o discurso contra eles, expondo-os à critica pública?