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Vem no jornal de negócios de hoje:“O Tribunal Constitucional (TC) condenou, pela primeira vez na história da democracia portuguesa, sete dirigentes partidários por ilegalidades no âmbito do financiamento e organização contabilística dos partidos políticos, avança o Jornal de Negócios na edição de hoje.Ainda assim, apesar de confirmar que «os arguidos participaram, com dolo, nas infracções cometidas» em 2001, o TC aplicou coimas no valor de 2.339,40 euros, quando os cinco responsáveis socialistas e os dois sociais-democratas podiam ser obrigados a pagar mais de 65 mil euros.”Aguardemos agora reacções oficiais e que sejam de condenação veemente e não assistamos às declarações branqueadoras do costume. Ou não haverá reacções?,
Hoje trago-lhes um livro, “O «eduquês» em Discurso Directo". "Uma crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista”, de Nuno Crato, um professor de matemática que disseca os lugares comuns do discurso pedagógico dominante. Mostra, fundamentadamente, o vazio dos conceitos que têm dominado a pseudo-pedagogia do laxismo e da irresponsabilidade que nos coloca na cauda da Europa nos níveis de qualificação e na liderança nas taxas de abandono escolar. Tal, segundo o autor, deve-se ao laxismo, à meritocracia invertida e a falta de padrões de exigência que são logo inculcados ao aluno no ensino básico. Uma reflexão importante quando tanto se fala em níveis de competitividade que, desejavelmente, deverão assentar em políticas de promoção da qualificação e não na promoção da precarização das relações laborais e nos salários baixos.
“Não é possível perceber o que se passa na Educação em Portugal sem conhecer um debate de ideias — umas vezes surdo, outras agressivo — que divide a opinião pública, cria desconforto entre profissionais de educação e pauta tomadas de posição de políticos e decisores. De um lado, surgem pessoas, ideias e atitudes que têm tido um papel dominante na política educativa. Ideias que habitualmente se identificam, nem sempre de forma correcta, com a «escola moderna», com o «ensino progressista» ou com o «ensino centrado no aluno». Ideias que se estendem por várias áreas políticas, que tiveram uma influência crescente no Ministério da Educação ao longo dos anos 80 e 90, que portanto vingaram sob a acção de governantes de partidos tão diversos como o CDS/PP, o PPD/PSD e o PS. Ideias que têm simpatias em todos esses partidos e noutros. Do outro lado surge uma opinião pública difusa, que se manifesta descontente com o estado actual da educação e que tem a noção intuitiva de terem sido os teóricos da pedagogia dita moderna que conduziram à situação presente. Nessas opiniões críticas incluem-se vozes ingénuas ou menos sofisticadas, como as que acusam as «Ciências da Educação» no seu todo, sem perceberem que a pedagogia é necessária, que a reflexão pedagógica é importante e que a investigação pedagógica é imprescindível para ultrapassar os problemas do ensino. Nas opiniões críticas incluem-se também professores e intelectuais que discordam dos exageros da ideologia pedagógica dominante. Umas vezes, essa discordância incide sobre aspectos relativamente secundários, como a linguagem hermética seguida por muitos teóricos da pedagogia. Estes são então acusados de falarem «eduquês» — um nome castiço e feliz que o então ministro Marçal Grilo usou para classificar essa fala esotérica. Outras vezes, a discordância é mais profunda e tem raízes na detecção, mesmo que intuitiva, de ideias pós-modernas, construtivistas e românticas que têm influenciado a educação. No entanto, apesar dessa consciência, a crítica ideológica tem sido dispersa e essencialmente limitada a intervenções em conferências e na imprensa. (...) É inspirador, entretanto, tomar contacto com o debate processado noutros países, nomeadamente nos Estados Unidos, onde Chall, Hirsch e Ravich, entre outros, têm feito uma crítica sistemática à pedagogia dita progressista. Um debate semelhante tem sido desenvolvido em Inglaterra, nomeadamente por Woodhead e O’Hear, tal como em França, onde professores do secundário e superior se têm manifestado contra o «politicamente correcto» pedagógico”. (ver mais aqui)