terça-feira, 2 de maio de 2006

Um sector muito rentável

Não é preciso ser um espectador atento da economia, para perceber que os lucros dos bancos que actuam no mercado nacional continuam a subir. E muito. Ano após ano, trimestre após trimestre, os resultados líquidos das instituições financeiras registam crescimentos de dois dígitos. Aparentemente, indiferentes à falta de animação da economia nacional.

Olhe-se desde logo para os primeiros números relativos a 2006. Neste primeiro trimestre do ano, mantém-se a tendência crescente que, aliás, já tinha se tinha verificado em exercícios anteriores. O Banco Comercial Português, que tinha fechado 2005 com um crescimento de 24,2% conseguiu aumentar os lucros, nos primeiros três meses do ano em 44%. Os accionistas do BES alcançaram um ganho nos resultados líquidos superior a 33% face ao período homólogo.

Estes valores mais recentes, acentuam a tendência verificada nos últimos exercícios. Os quatro maiores bancos privados a operar no mercado português, o BCP, o Santander Totta, o BES e o BPI, lucraram 1,625 mil milhões de euros em 2005. Feitas as contas, estamos perante um crescimento médio de 31%.

A taxa de crescimento dos lucros contrasta ainda mais se levarmos em linha de conta que a economia nacional melhorou quase nada, em torno dos 0,3%, segundo a última previsão do Banco de Portugal. O que levanta desde logo uma primeira pergunta: conhece mais algum sector da economia nacional, onde a média de crescimento dos lucros de cerca de 90% das empresas que o compõem suba nesta dimensão?” In Jornal de Negócios


O artigo continua, fica o link, para quem o quiser ler. Fica também a pergunta: será que, numa época em que se exigem tantos sacrifícios aos portugueses se justifica a manutenção de benefícios fiscais ao sector bancário? Se a resposta for afirmativa, que critérios o justificam? Deixo-lhes um convite à leitura deste estudo sobre o sector bancário.