1. Era uma vez…
Era uma vez, o Tiaguinho. Já repararam como as histórias com final feliz quase sempre começam com “era uma vez”? Esta não foge a essa regra. É uma história que terá começado com um “Tiozinho, já estou Licenciado e não consigo arranjar trabalho, não me consegues qualquer coisita lá na tua quinta?”, mas cujo cenário não é agrícola. Que diabo, pormenor irrelevante! Bom, adiante! Importante foi o tio, simpático, preocupado com o futuro do rapaz, logo se ter apressado a resolver o problema ao sobrinho. Novamente, que diabo! Em caso de aperto, a quem mais que à família compete ajudar!? E afinal, logo o Tiago Filipe, que sempre foi bom rapaz, estudioso, não fosse a ociosidade, mãe de todos os vícios, fazer com que o rapazito se perdesse. E então… aqui vai disto!
“SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO
Despacho n.º 3849/2006 (2.ª série). - Nos termos do disposto no artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 354/97, de 16 de Dezembro, e nos artigos 1.º, 6.º e 7.º do Decreto-Lei n.º 188/2000, de 12 de Agosto (com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 74/2002, de 26 de Março), nomeio secretário pessoal do vice-presidente conselheiro Domingos Brandão de Pinho, e por indicação deste, o licenciado Tiago Filipe Pereira Brandão de Pinho, com efeitos a partir de 1 de Fevereiro de 2006.
1 de Fevereiro de 2006. - O Presidente, Manuel Fernando dos Santos Serra.”
Esta história que, como viram, começou com “era uma vez”, se encontrasse já aqui o seu predestinado final feliz, perdia toda a gracinha. O rapazote começava a trabalhar e fim? Nem pensar! Estas histórias respeitam uma técnica que sempre coloca um ou mais vilões no caminho dos heróis do conto, adiando o “e viveram muito felizes”, às vezes “para sempre” e noutras ficamos sem saber porque não dizem, uma chatice. Mas adiante.
2. Seres vis e invejosos no caminho do Tiaguinho
Esta é aquela parte em que se ouve aquela música do perigo, com violinos, tan tan tan tan… Estão a imaginar, não? Pois é, apareceram os vilões invejosos a apontar o dedo aos nossos heróis, ao Tiago Filipe e ao tio benemérito. Vilões poderosos, que puseram na 1ª página do Público “tio nomeia sobrinho para secretário.”.
3. O Bem triunfa contra o mal
O Tio Domingos, homem calmo e experiente, recebe a notícia com um “os jornais, ai, os jornais! Entretêm-se com estas coisas para vender, no dia seguinte já ninguém se lembra”, concluindo com um “já os lixo!”. E assim foi. Ordena a seu escudeiro que “redija carta com resposta que ponha tais senhores na ordem, eu sou um órgão de soberania!”
Este não se fez rogado, obedecendo a seu amo:
“Com referência ao artigo publicado ontem, intitulado "Vice-presidente do Supremo Administrativo nomeia sobrinho para seu assessor", encarrega-me Sua Excelência o presidente do Supremo Tribunal Administrativo de fazer notar a V. Exa. que é de lamentar que a comunicação social se preocupe em publicitar situações como a vertente, quando há muitos outros factos a noticiar, estes sim, de extrema relevância para a jurisdição administrativa e fiscal e cujo conhecimento aproveitaria, seguramente, a todos os cidadãos.”
Carta enviada ao jornal Público por Rogério Martins Pereira, Chefe de Gabinete do Presidente do Supremo Tribunal Administrativo e publicada neste periódico.
Bem feito! Não têm mais nada que fazer, os ordinários!
4. E viveram muito felizes
Eis pois o final. E viveram muito felizes. O Tio Domingos continua na sua quinta, agora com o sobrinho Tiaguinho como secretário, também na quinta, agora não só do tio mas também dele, sobrinho. Vitória, vitória, acabou-se a história.
Era uma vez, o Tiaguinho. Já repararam como as histórias com final feliz quase sempre começam com “era uma vez”? Esta não foge a essa regra. É uma história que terá começado com um “Tiozinho, já estou Licenciado e não consigo arranjar trabalho, não me consegues qualquer coisita lá na tua quinta?”, mas cujo cenário não é agrícola. Que diabo, pormenor irrelevante! Bom, adiante! Importante foi o tio, simpático, preocupado com o futuro do rapaz, logo se ter apressado a resolver o problema ao sobrinho. Novamente, que diabo! Em caso de aperto, a quem mais que à família compete ajudar!? E afinal, logo o Tiago Filipe, que sempre foi bom rapaz, estudioso, não fosse a ociosidade, mãe de todos os vícios, fazer com que o rapazito se perdesse. E então… aqui vai disto!
“SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO
Despacho n.º 3849/2006 (2.ª série). - Nos termos do disposto no artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 354/97, de 16 de Dezembro, e nos artigos 1.º, 6.º e 7.º do Decreto-Lei n.º 188/2000, de 12 de Agosto (com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 74/2002, de 26 de Março), nomeio secretário pessoal do vice-presidente conselheiro Domingos Brandão de Pinho, e por indicação deste, o licenciado Tiago Filipe Pereira Brandão de Pinho, com efeitos a partir de 1 de Fevereiro de 2006.
1 de Fevereiro de 2006. - O Presidente, Manuel Fernando dos Santos Serra.”
Esta história que, como viram, começou com “era uma vez”, se encontrasse já aqui o seu predestinado final feliz, perdia toda a gracinha. O rapazote começava a trabalhar e fim? Nem pensar! Estas histórias respeitam uma técnica que sempre coloca um ou mais vilões no caminho dos heróis do conto, adiando o “e viveram muito felizes”, às vezes “para sempre” e noutras ficamos sem saber porque não dizem, uma chatice. Mas adiante.
2. Seres vis e invejosos no caminho do Tiaguinho
Esta é aquela parte em que se ouve aquela música do perigo, com violinos, tan tan tan tan… Estão a imaginar, não? Pois é, apareceram os vilões invejosos a apontar o dedo aos nossos heróis, ao Tiago Filipe e ao tio benemérito. Vilões poderosos, que puseram na 1ª página do Público “tio nomeia sobrinho para secretário.”.
3. O Bem triunfa contra o mal
O Tio Domingos, homem calmo e experiente, recebe a notícia com um “os jornais, ai, os jornais! Entretêm-se com estas coisas para vender, no dia seguinte já ninguém se lembra”, concluindo com um “já os lixo!”. E assim foi. Ordena a seu escudeiro que “redija carta com resposta que ponha tais senhores na ordem, eu sou um órgão de soberania!”
Este não se fez rogado, obedecendo a seu amo:
“Com referência ao artigo publicado ontem, intitulado "Vice-presidente do Supremo Administrativo nomeia sobrinho para seu assessor", encarrega-me Sua Excelência o presidente do Supremo Tribunal Administrativo de fazer notar a V. Exa. que é de lamentar que a comunicação social se preocupe em publicitar situações como a vertente, quando há muitos outros factos a noticiar, estes sim, de extrema relevância para a jurisdição administrativa e fiscal e cujo conhecimento aproveitaria, seguramente, a todos os cidadãos.”
Carta enviada ao jornal Público por Rogério Martins Pereira, Chefe de Gabinete do Presidente do Supremo Tribunal Administrativo e publicada neste periódico.
Bem feito! Não têm mais nada que fazer, os ordinários!
4. E viveram muito felizes
Eis pois o final. E viveram muito felizes. O Tio Domingos continua na sua quinta, agora com o sobrinho Tiaguinho como secretário, também na quinta, agora não só do tio mas também dele, sobrinho. Vitória, vitória, acabou-se a história.
Arre, não saiu lá grande coisa! Com histórias destas, se as quisesse publicar nem com um tio livreiro me safava. Não tenho tios livreiros, restou-me deixá-la aqui para ser lida enquanto outros tios vão fazendo as delícias dos sobrinhos. A Felicidade Suprema, neste país do Burro.
FIM
FIM

