segunda-feira, 10 de abril de 2006

Victoire!

Quando leio qualquer coisa sobre o CPE francês, lembro-me sempre daqueles que orgulhosamente afirmam não gostar de política. Como seria se em França também não houvesse um número significativo de franceses que gostassem de política? Sem estar informado, não há alma que se mexa para fazer o que quer que seja, ninguém age ou reage perante algo que não entende, perante algo que não vê. A ignorância funciona aqui como cegueira, permitindo as mais diversas manobras. Desta vez ela, ignorância, não prevaleceu e a mobilização geral obteve os seus frutos.

Governo francês cede e retira polémico Contrato de Primeiro Emprego
Sindicatos e estudantes vão reunir para decidir os próximos passos a dar, depois de dez semanas de contestação através de manifestações

Dois dos principais sindicatos de França declararam-se hoje satisfeitos com a retirada do polémico Contrato de primeiro emprego (CPE), mas reservaram para mais tarde uma reacção às medidas de inserção anunciadas para substituir aquele mecanismo.

O Presidente francês, Jacques Chirac, anunciou hoje de manhã que o CPE foi retirado e será substituído por um mecanismo a favor da inserção profissional dos jovens com dificuldades para entrar no mercado laboral.
(…)
Numa breve declaração após o anúncio de Chirac, o primeiro- ministro francês, Dominique de Villepin, lamentou não ter sido "compreendido por todos" quando introduziu o Contrato de Primeiro Emprego (CPE). Explicando que, com a introdução do CPE, quis "actuar depressa" contra a "situação dramática" do desemprego dos jovens, Villepin considerou, no entanto, que "as condições necessárias de confiança e de serenidade não estão reunidas, nem do lado dos jovens nem do lado das empresas, para permitir a aplicação" da legislação.

O primeiro-ministro prosseguiu afirmando que decidiu, por isso, propor a Jacques Chirac a substituição do artigo 8 da lei de igualdade de oportunidades, artigo que cria o CPE, por medidas a favor da inserção dos jovens no mercado laboral, proposta que foi aceite por Jacques Chirac.” In Jornal de Notícias

Afinal, o senhor tinha a melhor das intenções.