“Hoje, como lá fora – basta para tanto acompanhar Bush na CNN, ou Blair na Sky –, Sócrates usa o mesmo padrão de funcionamento que está há muitos anos testado nos EUA. Comunicar com apoio visual, criar fórmulas simples de reconhecimento dos programas – tipo Simplex –, elencar medidas práticas e que toquem a todos, e extinguir serviços inoperativos, obsoletos e fáceis de criticar. Está mal feito? É só propaganda? Se a oposição continuar a pensar assim, nestes termos simplórios, comete o maior erro da sua vida e vai ficar afastada do poder durante anos e anos. A forma como Sócrates actua, a simplicidade eficaz da sua mensagem e os meios que usa para a transmitir são componentes de um sistema moderno, muito bem organizado e que nunca teve paralelo em Portugal, mesmo com um comunicador nato como Guterres, ou um especialista em oratória como Santana. Sócrates junta tudo isso ao melhor das escolas de comunicação, que explicam que a mensagem, para ser compreendida pela generalidade de um eleitorado, tem de ser simples, muito directa, com medidas e exemplos fáceis de decorar e com uma imagem fabricada para os órgãos de comunicação social.”
Muitas vezes me tenho questionado sobre este tema, tantas e tantas vezes vejo pessoas directamente afectadas por uma qualquer medida avulsa ou políticas que as prejudicam que, por paradoxal que pareça, são os seus mais acérrimos defensores e, em eleições, dão o seu voto aos partidos que as suportam e promovem. A única explicação lógica que se me apresenta é uma falha na comunicação entre partidos e os seus eleitorados, com consequências tanto na participação dos cidadãos em eleições como na cada vez maior falta de cultura política, indispensável para que um qualquer cidadão saiba avaliar os seus representantes, identificando os que promovem políticas que melhor defendem os seus interesses. Não sou, de forma nenhuma, um defensor da forma em detrimento do conteúdo no discurso político. Eles não são mutuamente exclusivos e uma reorientação dos partidos tanto no discurso como nas formas de o promoverem revela-se urgente. Se com essa mudança a participação dos cidadãos aumentar, tem a ganhar a nossa democracia, todos ganharemos se soubermos, clara e inequivocamente, os projectos que cada partido tem para Portugal. Qualquer ideia, por melhor que seja, é inútil se não for entendida pelo eleitorado e uma opção reiterada por práticas que não atinjam tal objectivo revelar-se-á, na sua eficácia e eficiência, insistir em pregar aos peixes. O outro lado da questão são o populismo e os riscos de demasiado mediatismo e superficialidade, mas isso serão outros quinhentos.
