terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Singela homenagem ao político moderno

Ao político moderno são-lhe exigidos desafios impensáveis caso vivêssemos num clima de suspeição em que subsistissem dúvidas quanto à sua seriedade. Assim, podemos assistir à passagem de um político do Ministério das Finanças para os quadros de uma empresa de um sector estratégico como a energia sem que surjam dúvidas sobre as decisões tomadas enquanto ministro, que podiam, mas não influenciaram a empresa privada, a Iberdrola, nem a favoreceram. Entre as qualidades do político moderno figura a capacidade de ter a imparcialidade de decidir enquanto ministro, para que não sejam colocadas questões de ordem ética quanto à relação entre essas decisões e as funções por si exercidas após a sua saída do Governo. E, na mesma perspectiva, felizmente que tão pouco se questiona que alguém acumule funções de Deputado e de administrador da Iberdrola. Ou, se preferirem, saltar da administração da Galp para o Ministério das Obras Públicas e deste para a EDP. Não é ilegal e, graças a Deus que estes senhores são de uma honestidade intocável e de um ecletismo assinalável, como o silêncio da oposição evidencia.

Fica o nosso espanto e indignação por a nossa comunicação social andar distraída e só se preocupar em dizer mal, em vez de lhes promover as mais detalhadas reportagens. É, acima de tudo, uma desorientação editorial e os portugueses merecem conhecer o trabalho de pessoas esforçadas como estas, a bem da credibilização de uma classe política exemplar e da aproximação entre os eleitores e os seus representantes.

Por tudo isto, muitos séculos após a morte da mulher de César, a que para além de ser séria também tinha que parecê-lo, a nossa singela homenagem a Pina Moura, António Mexia e a outros políticos desta nova escola de como fazer política em Portugal. Sabem, têm sabido e saberão sempre defender os interesses de Portugal e dos portugueses. Com o máximo profissionalismo e desinteressado amor à camisola. Para todos eles, extensível à comunicação social isenta que temos, o nosso… muito obrigadinho! E calai-vos, mal intencionados!

4 comentários:

frosado disse...

tens muita razão.

Anónimo disse...

Silêncio da oposição? São iguaizinhos, Pina Moura de um lado, Mexia do outro... Com telhados de vidro é de todo desaconselhável atirar pedras ao telhado do vizinho.

Anónimo disse...

Se fossem só esses dois estávamos bem, mas é tudo a mesma cambada

Anónimo disse...

Já para não falar dos deputados que encomendam pareceres a empresas que são sua propriedade.... Para a AR ou comissões parlamentares disto ou daquilo, o que interessa é enriquecer. E depois falam de emagrecimento... do Estado. Promovem-na desta singela forma.