Domingo, Maio 18, 2008

Orelhas de Burro



Bonobo – “Pick Up”



Bonobo – “Scuba”

Neo-consensualidade

José Sócrates tentou condicionar os sindicatos ao acusar o PCP de fazer o mesmo, condicionar os sindicatos na negociação do novo Código do Trabalho. O PCP devolve a acusação, no final de uma reunião da parte pensante do partido.
Independentemente de ter uma posição próxima da do PCP nesta matéria, é curioso verificar que, tal como o PCP não muda, também a colagem entre discordar e ser reivindicativo em função de uma convicção e ser comunista se mantém um costume enraizado no discurso político. Segundo essa linha, existimos apenas para concordar e aplaudir. Caso contrário, comportamo-nos como autênticos vermelhuscos. Tal como no comunismo, somos meras peças da engrenagem que não devemos ter ideias e reivindicações próprias, sob pena de prejudicarmos o “consenso” que serve o bem de todos, decidido pela vontade de quem manda. Eles pensam. Nós obedecemos. O conceito de consenso mudou. Antes chamava-se submissão. E a submissão nunca gerou evolução nem progresso. Nem no mundo comunista, nem no nosso.

Sábado, Maio 17, 2008

Desemprego "sem gato": 9,8%


O leitor que segue este blog mais atentamente certamente que se deu conta da minha incredulidade sobre a diminuição do desemprego que ontem foi anunciada. Num post intitulado “aqui há gato”, justifiquei a minha desconfiança com o trambolhão no crescimento económico verificado, metade do observado no primeiro trimestre de 2007. Num mercado de trabalho tão flexível como o português, em que abunda a precariedade e as empresas ajustam as suas admissões de pessoal às encomendas quase automaticamente, seria quase impossível que o desemprego baixasse com tal abrandamento. Afastei essa possibilidade. Com Quase toda a certeza que a descida do desemprego estaria ligada ao conceito de desempregado e, por isso, consubstanciei a minha dúvida noutro post onde o inclui: “o gato”. Não me equivoquei.

Verifiquei-o ao ler o
documento original do INE. E constatei depois que o Público também se prestou à mesma tarefa:

  • “Das 439.500 pessoas que estavam desempregadas no 4.º trimestre de 2007, 17,2 por cento (75.600) passaram a "inactivas" no 1.º trimestre de 2008. Ou seja, abandonaram o mercado de trabalho, seja porque desistiram de procurar, seja porque as oportunidades de trabalho não eram satisfatórias ou porque se resguardaram no meio familiar. Trata-se de um fenómeno habitual em conjunturas depressivas. O INE assinala que este número foi, aliás, superior aos verificados nos 3.º e 4.º trimestres de 2007. Esse abandono tocou também 62 mil pessoas empregadas. No total, de um trimestre para o outro, verificou-se a saída do mercado de trabalho de aproximadamente 137 mil pessoas (entre desempregados e empregados).”

Conclusão: o desemprego diminuiu porque 137 mil pessoas deixaram de ser consideradas desempregadas e passaram à condição de inactivos apenas porque não há registos de que tenham procurado trabalho no último mês. O Público não calcula a taxa de desemprego que se verificaria caso o conceito de “desempregado” utilizado pelo INE incluísse esses 137 mil inactivos forçados: 9,8%. E isto sem considerar como desempregados os trabalhadores a tempo parcial (todos aqueles que trabalharam pelo menos uma hora na última semana) que (lê-se no relatório do INE) aumentaram 9.400.


O desemprego subiu, muito, e a ideia que o Governo conseguiu passar foi a inversa, a de que desceu, e muito. Em Portugal, qualquer fracasso se pode rapidamente transformar no maior dos triunfos, que depois, ainda mais rapidamente, se apregoa para que, depois desse depois, se transforme em votos. Resulta.
No nosso atraso eterno.

A reforma da "equidade interna"

Todos se lembrarão que a reforma da Administração Pública se iniciou com uma acção de sensibilização promovida junto da opinião pública, que chamava a atenção de todos para o escândalo daquilo a que chamava “poderosos interesses corporativos” e “privilégios” dos funcionários públicos. Foi a histeria geral, com a comunicação social na linha da frente da cruzada por aquela justiça que traria finalmente uma linha de rumo ao país, a dar voz às dores nacionais e a servir ao seu público aquilo que queriam ler, ver e ouvir.
Concluída a fase da campanha de agitação inicial, e conseguida a base de apoio popular - não populista, atenção! -, a reforma prosseguiu, em nome de um tal "mérito", com a reformulação dos vínculos, mais precários e ao sabor das vontades dos dirigentes nomeados políticos, das carreiras, menos aliciantes e ao sabor das vontades dos dirigentes nomeados políticos, e das remunerações, agora com uma componente de prémio de desempenho atribuído ao sabor dos caprichos dos dirigentes nomeados políticos. Por seu lado, e segundo a mesma reforma, os dirigentes, que, como antes, continuam a ser nomeados pelo cartão partidário e não pelo mérito, viram os seus poderes reforçados: não precisam de dar satisfações públicas em Diário da República sobre quem contratam e dos critérios que levam a essa contratação, podem agora preferir valorizar uma qualquer componente curricular do seu candidato favorito em detrimento do grau de licenciatura ou mestrado de outro candidato, os seus desempenhos continuam a não ser públicos e são reis e senhores na avaliação que fazem dos seus subordinados.
Serve esta recapitulação das últimas fases da reforma em curso para introduzir uma notícia de ontem que nos dá conta da evolução da carreira de um dos primeiros filhos de uma reforma que apenas cortou direitos legítimos àqueles que conduziam o seu percurso profissional fora da esfera partidária:
alguém que, apesar de não estar ao serviço no Banco de Portugal há oito anos, viu os seus méritos reconhecidos e foi promovido de categoria profissional por "critérios de gestão e equidade interna". Os outros, os “privilegiados” funcionários de carreira, para serem promovidos, são rigorosamente pseudo-avaliados (por quem não é nomeado pelo mérito e muitas vezes nem sequer tem habilitações académicas comparáveis às suas) durante 10 anos, período que culmina com a chegada do dia da tão ansiada promoção: 30 e poucos euros. É uma fartura.

Condições "Expresso"

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, assegurou hoje que estão criadas as condições que permitirão acabar com os recibos verdes e liquidar os vencimentos em atraso existentes entre os formadores do programa Novas Oportunidades. As condições foram criadas pelo semanário Expresso, que denunciou situações de atrasos de mais de cinco meses nos pagamentos de honorários – que deveriam ser vencimentos – a formadores e a “herança do passado”, referida pela ministra, é inteiramente da sua responsabilidade: as novas oportunidades são obra do seu Governo.
Na mesma semana em que Sócrates é apanhado a fumar num espaço proibido e promete deixar de fumar, Maria de Lurdes Rodrigues é apanhada a comportar-se como o empresário do Vale do Ave mais cavernoso e promete redimir-se. Desde o detalhe mais ínfimo até à infracção mais grave, neste estilo de governação ao sabor dos média, o problema do abuso não está na sua prática, está em ser descoberto. A ética mudou-se de armas e bagagens para parte incerta e, no seu lugar, mora agora o descaramento mais despudorado.

Um premio

É uma esperança para quem espera por uma cirurgia oftalmológica. O Ministério da Saúde vai gastar 28 milhões de euros para acabar com as listas de espera em consultas e cirurgias oftalmológicas. Se na origem do problema está a falta de cirurgiões e pessoal médico, é uma boa medida. Mas, se não for esse o caso, o Governo poderá estar a premiar quem originou as listas de espera e a evitar a medida que se impunha , a responsabilização de quem é pago para realizar um trabalho que não assegura, que teria custos políticos e não financeiros.

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Ver e não ver

Os taxistas, profissionais, reivindicam gasóleo profissional mais barato. O Governo não está disposto a ceder e Teixeira dos Santos diz que não vê “porque é que todos os contribuintes têm de subsidiar uma actividade em particular"”Não vê, mas subsidiam. A agricultura tem gasóleo profissional.

Sapo papa conquilhas

O Sapo engorda e já come conquilhas. Felicidades para o Tomás Vasques na sua nova morada.

Ninguém para o Parlamento

Apesar de poder não ser essa a vontade dos representados, os representantes aprovaram o Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico. “Ninguém pára o Parlamento” vai mesmo dar lugar a “ninguém para o Parlamento”. Justamente. Há coisas que tiram a vontade de votar.

"Um pouco abaixo"



Depois de conhecido o trambolhão no crescimento económico português, sucedem-se as ajudinhas para tentar disfarçar o fracasso da política económica seguida pela governação Sócrates. Primeiro foi o INE a avançar com a maior diminuição do desemprego dos últimos anos. Ninguém no seu perfeito juízo se acredita no milagre. Seguiu-se-lhe Vítor Constâncio, que fala num crescimento do PIB “um pouco abaixo do que esperava”. Esse “Um pouco abaixo” são mais de 20%. E Bruxelas junta-se ao grupo, apesar de estarmos a divergir da média europeia há 7 anos, graça por lá uma fezada que as “políticas estruturais” um dia hão-de fazer a nossa economia crescer um pouco acima do um pouco abaixo.

O gato

Conceitos de empregado e desempregado (INE): “O INE considera desempregados `os indivíduos com 14 e mais anos que, no período de referência, não tenham trabalho remunerado nem qualquer outro, que estejam disponíveis para trabalhar num trabalho remunerado ou não, e que tenham procurado um trabalho (remunerado ou não) nos últimos 30 dias.

São empregados `todos os indivíduos com 14 ou mais anos que, na semana de referência, tenham efectuado trabalho de pelo menos uma hora, mediante o pagamento de uma remuneração ou com vista a um benefício ou ganho familiar em dinheiro ou em géneros; engloba também os indivíduos que não estejam ao serviço à data da recolha mas mantinham uma ligação formal com o seu emprego, os indivíduos que tendo uma empresa não estavam temporariamente ao trabalho por uma razão específica e os indivíduos que, em situação de pré-reforma, se encontrem a trabalhar no período de referência.” (retirado
daqui)

Assim, para que alguém deixe de contar para as estatísticas como desempregado, bastará trabalhar uma só hora durante a última semana ou que não haja registos de que tenha procurado trabalho nos últimos 30 dias. O INE poderia dar uma ajuda mais efectiva para “o país ir para a frente” e fazer cair o desemprego ainda mais. Bastaria para isso que reduzisse o período de 1 semana para um dia, a hora de trabalho para um minuto ou que deixasse de contar como desempregados todos aqueles malandros que tenham deixado de procurar trabalho nos últimos 30 segundos.

Aqui há gato

A economia portuguesa cresceu no primeiro trimestre deste ano a uma taxa (0,9%) que corresponde a metade da verificada no primeiro trimestre de 2007 (1,8%) e, apesar disso, o desemprego baixou 0,8% em termos homólogos entre os mesmos dois períodos, uma quebra de mais de 10%. A entidade que avança os dois dados é a mesma, o INE, que divulga ainda uma taxa de desemprego de 7,6%.

Gostei de ler: ...bl-g- -x-st-

“Há pouco tempo, a Sonae escolheu o sucessor de Belmiro de Azevedo. Dizia-se que havia vários candidatos com hipóteses, mas, no final, a Presidência do grupo foi previsivelmente atribuida a Paulo de Azevedo.

É provável que ele fosse o melhor homem para o lugar, no mesmíssmo sentido em que é provável que - digo isto sem qualquer ironia - a escolha de Armando Vara para o BCP não tenha tido nada a ver com a sua relação de amizade com José Sócrates.

Perdoar-se-nos-á porém a nós, simples mortais, que fiquemos com algumas dúvidas. É que a experiência mostra-nos que, ao menos em Portugal, grandes empresas cotadas na Bolsa que supostamente deveriam dispor de uma gestão profissionalizada em extremo continuam na prática a ser governadas como coutadas familiares.

A descendência de Picasso não singrou na pintura, nem a de Einstein na ciência. Assim de repente, nas artes, a única dinastia de sucesso que me ocorre é a da família Bach. Na gestão empresarial, porém, parece haver um gene que se propaga de pais para filhos.

Belmiro de Azevedo irritou-se com a hipótese de a União Europeia poder vir a interferir na fixação dos salários dos administradores das empresas, declarando que "os políticos não mandam nos empresários". É certo que os políticos não devem dar ordens aos empresários; mas fazem as leis que a todos obrigam, empresários incluídos.

Logo, a questão, é esta: deve o poder político imiscuir-se neste tema das remunerações? Belmiro, Mexia, Ulrich e outros declararam a sua oposição, argumentando que os salários dos gestores são fixados pelo mercado. Não é exacto, a menos que aceitemos que o mercado são eles.

Ora eles não são os donos das empresas. As empresas são dos accionistas, e eles dispõem usualmente de participações minoritárias em empresas de que pretendem dispor como coisas suas.

A agitação por que passou o BCP revelou até que ponto são quotidianamente espezinhados os direitos dos accionistas em proveito de pequenos grupos de familiares e amigos que na prática detêm todo o poder. Ora é aqui - e não na eventual fixação de salários máximos - que os governos europeus deveriam intervir, defendendos os direitos dos accionistas contra os abusos de minorias entrincheiradas nos postos de comando.

Talvez seja oportuno recordar que Adam Smith levava a sua embirração pelas sociedades anónimas ao ponto de defender a sua interdição, precisamente porque no modo como eram governadas ele não vislumbrava a mão invisível do mercado mas a manipulação de muitos por muito poucos.”

Lembrei-me bastante deste texto do João Pinto e Castro, que li ontem, enquanto escrevia o post anterior. Ele aí fica.

Paguem os accionistas

O Banco de Portugal (BdP) não tem dúvidas de que o BCP actuou com dolo e de forma negligente no polémico caso dos créditos concedidos ao filho de Jardim Gonçalves. E condenou, a 12 de Fevereiro, o BCP e quatro entidades por si detidas ao pagamento de uma coima total de 760 mil euros - num total de dez contra-ordenações, três das quais dolosas - por lhe ter omitido informações sobre empresas detidas por Filipe Jardim Gonçalves. O BCP já recorreu para o Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa.
O assalto mal sucedido aos cofres do BCP, recorde-se, envolveu 10 milhões de euros que o papá se apressou a devolver assim que o escândalo estalou. Sabe-se, agora, que a pena aplicada é apenas a de uma coima que, ainda por cima, será paga pelos accionistas do banco e não pelos autores da golpada. É mais uma curiosidade de um país muito, muito particular. A administração de uma empresa tenta usar a sua posição para favorecer os interesses do filho de um dos gestores, lesando com isso os interesses dos accionistas da empresa. A tramóia é descoberta. O papá administrador paga do seu bolso o valor desviado. Meses mais tarde, a autoridade reguladora condena os lesados ao pagamento de uma coima, poupando os infractores. Para eles, de prisão ou de procedimento criminal, nem ouvir falar. Nem sequer a inibição de exercer a actividade.

Sansão Sem dor

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Qual esforço de modernização do país?

Em saltos de Coelho, rumo ao aeroporto

É bonito ver Portugal e a Mota Engil de braço dado rumo ao progresso. Jorge Coelho diz que Portugal precisa urgentemente de infra-estruturas que suportem o crescimento do país. E a Mota Engil precisa urgentemente de infra-estruturas que suportem o crescimento dos lucros da empresa. O aeroporto dava cá um jeitaço…

Ora aqui está uma boa deixa para brincar às sondagens. Qual é a sua aposta quanto à construtora a quem será adjudicada a obra do novo aeroporto? Duas alternativas de resposta: “à Mota Engil de Jorge Coelho” ou “a outra qualquer”. A minha aposta vai direitinha para a Mota Engil.

Nova carta astrológica 2008

Teixeira dos Santos é alguém que se tem dado a conhecer pelo seu optimismo. Depois de, contrariando todas as previsões de organismos nacionais e internacionais, nos ter garantido a pés juntos e de jurar pela saúde da mãezinha que a economia portuguesa este ano cresceria a uma taxa de 2,2%, vem hoje corrigir a sua previsão astrológica para os 1,5%, um abrandamento de mais de 20% relativamente ao crescimento verificado em 2007 e de mais de 30% relativamente ao inicialmente previsto. Escusado será dizer que a explicação para a nova previsão é a mesma usada para a anterior: a economia portuguesa respira saúde e confiança porque temos as contas públicas em ordem.
  • Adenda esotérica: quiseram os astros – esses malucos! - que o PS e o Governo descobrissem uma conjuntura desfavorável causadora de desaceleração económica em Portugal precisamente no mesmo dia em que o EUROSTAT revelou uma conjuntura de aceleração económica na zona euro que excedeu todas as expectativas.

Por causa dos filhos?

Há uns anos, José Sócrates deixou de fumar. Foi quando se iniciou no "jogging". A campanha eleitoral de 2005 reacendeu-lhe o vício, que ao princípio tentava dissimular, solicitando a cumplicidade dos jornalistas para que o não fotografassem de cigarro na mão - sobretudo, justificava-se, por causa dos filhos. (Expresso)

Saldo mais que natural

Foram revelados os dados demográficos do INE relativos a 2007. Morreram mais portugueses do que aqueles que nasceram: o número de mortes (103.727) superou o de nascimentos (102.213) A em 1514. A população portuguesa está mais envelhecida e, por isso, ocorrem mais óbitos. Está também mais empobrecida e precária e, por isso, procria menos (este ano ainda menos que no ano passado). O modelo social neo-liberal que nos fecunda é incapaz de convencer os espermatozóides portugueses a fazerem o mesmo aos seus compatriotas óvulos e o saldo é mais que natural: negativo.

Ter ou alugar? Pagamos na mesma

Mais um negócio de contornos, no mínimo, esquisitos. A Empresa de Meios Aéreos (EMA), que gere os meios do Ministério da Administração Interna (MAI), alugou dois helicópteros à Helisul, uma empresa que, conjuntamente com Aeronorte (a feliz contemplada há um mês com a escolha para assegurar as ligações aéreas entre Lisboa e Bragança) foi multada o ano passado pela AdC por prática de cartelização num concurso público a que as duas empresas apresentaram proposta conjunta em 2005, com um valor que superou em 90% a proposta do ano anterior.
Novamente se suscitam dúvidas quanto às vantagens do relacionamento do Estado com um privado, quer porque a empresa detém uma posição de monopólio e, por isso, fixa o preço que quer, quer ainda porque os dois helicópteros alugados não seriam necessários caso os 10 que foram adquiridos em 2005 estivessem operacionais. Porém, a opção alternativa de o Estado comprar os meios de que necessita em vez de os alugar não parece apresentar quaisquer vantagens. Mas essa conclusão é parte de outra novela que inclui outra negociata, que também foi lucrativa para alguém, sobre a qual não vou alongar-me porque já foi escrita (ler
aqui). Apenas lhes deixo o link e aproveito a onda para lhes roubar a foto que ilustra este post. É o que está a dar. E ninguém dá conta.

Quarta-feira, Maio 14, 2008

Tabaco faz mal à imagem

Sócrates já sabia que o tabaco faz mal à saúde. Não deixou de fumar por isso. A decisão de deixar de fumar aparece apenas quando, um dia, descobre que o tabaco também faz mal à imagem. Pelo menos diante de jornalistas. É um perigo.
Comovi-me com o seu sincero pedido de desculpas pelos cigarros que fumou, principalmente depois das reacções iniciais "à menino": que nos voos fretados se podia fumar, que nos passeios do menino Cavaco também se fuma e, ao final, que o menino não sabia. Depois o “Desculpa, mamã” e o “não torno”. Tocante. E, quanto ao facto de ter agido como alguém que está acima da lei, essas desculpas ficam por dar juntamente com a multa de 750 euros aplicável ao caso. Usando a expressão que lhe é tão cara, "isso é que era importante". Ou acaso alguém se importa um caracol que Sócrates fume em locais onde seja permitido? Pronto, está bem, está bem. Meninos bonitos não fumam. Ufa! Não é preciso ralhar.

Sempre a subir

O preço dos combustíveis aumentou mais uma vez. O do gasóleo de 1,339 euros para 1,369 euros e o da gasolina sem chumbo 95 de 1,449 euros para 1,479 euros.


No último ano, A variação da cotação em bolsa (Madrid) da
CEPSA foi de +1,59% e a da Repsol foi de +5,64%. No mesmo período, a variação da cotação das acções da GALP na bolsa nacional foi de +105.82% (gráfico), em parte explicada pelas descobertas de petróleo no Brasil. A outra parte do milagre está a ser objecto de estudo por parte da Autoridade da Concorrência, a publicar brevemente.

Vítimas das guerras colonial e socrática

Os deficientes das Forças Armadas vão manifestar-se hoje, em Lisboa. A concentração está marcada para as 14h 30, em frente à Basílica da Estrela, o ponto de partida da marcha de protesto rumo à Assembleia da República que tem como objectivo a reivindicação da reposição imediata da assistência médica e medicamentosa, retirada pelo Decreto-lei nº 167/2005, e a isenção de IRS para as pensões pagas a título indemnizatório às quais, por serem tratadas como qualquer rendimento tributável em IRS e à semelhança do que aconteceu com os rendimentos dos restantes portadores de incapacidades, foram retirados os benefícios fiscais que existiram até 2006 pela governação Sócrates.

Reposição dos Benefícios Fiscais – Movimento dos Trabalhadores Portadores de Deficiência

Cliente VIP da TAP

Um coro de críticas reprovou a violação da lei do tabaco pelo Primeiro-Ministro noticiada ontem pelo jornal Público. Só em blogs, foram 71 a linkarem a notícia.
Entre os desenvolvimentos do episódio, hoje, novamente no
Público, segundo as opiniões dos constitucionalistas Jorge Miranda e Vital Moreira, José Sócrates violou inequivocamente a lei do tabaco, uma vez que a norma não admite excepções e não há nenhuma forma de a contrariar. Na mesma peça, responsáveis da TAP tentam colocar água na fervura – leia-se, nos cigarros de José Sócrates e de Manuel Pinho – e dizem que pedir para fumar em aviões fretados é tão normal como solicitar uma refeição especial, versão coincidente com o teor da nota dirigida à imprensa por José Sócrates, que alega uma diferença de regras entre voos fretados e voos regulares. A TAP tem um cliente VIP que não paga do seu bolso os serviços especiais solicitados.

As mais sábias palavras do mandato do presidente Bush

O mandato já vai longo e nunca lhe ouvi palavras tão sábias. Realmente, mais vale tarde do que nunca.

Terça-feira, Maio 13, 2008

Assim na terra como no céu


Negócios à parte


Dois estilos autoritários vão encontrar-se, hoje e durante os próximos três dias, na Venezuela. Porém, com diferenças assinaláveis. Um mais caceteiro, anfitrião, outro mais prada, visitante. Um Chavez que tem promovido o monopólio estatal como forma de pôr o petróleo e as riquezas nacionais ao serviço do combate às desigualdades e à exploração do trabalho e outro, um Sócrates que tem colocado as desigualdades e a exploração do trabalho ao serviço de monopólios privados. Um venezuelano que desconfia dos benefícios para o seu povo do enriquecimento desmesurado dos grandes grupos económicos e um português que espera que da engorda dos lucros dos grandes interesses económicos resulte algum benefício, por pequeno que seja, para o povo que o elegeu. E um Hugo amado pelos mais pobres e odiado pelos mais ricos e um José amado pelos mais ricos e pelos pobres resignados aos milagres de Fátima e mal amado por aqueles que vêem nas suas políticas uma ameaça a conquistas de décadas de evolução social.
Contudo, é mais que provável que estas diferenças sejam esbatidas, como é costume em encontros bilaterais em que há negócios e dinheiro envolvidos. A curiosidade da visita de Sócrates à Venezuela residirá, então, não apenas na incoerência do espernear daqueles acólitos do mercado que, diante das “janelas de oportunidade” que se abrem para novos negócios, convivem bem com a ideia do estreitamento das relações de Portugal com países pouco recomendáveis como a China, o Zimbabwe de Mugabe ou a Líbia de Kadafi, como também de uma característica comum a Sócrates e a Chavez: o uso e abuso da comunicação social e da mediatização de tudo o que fazem. Será interessante acompanhar como Sócrates apresentará Chavez aos portugueses e como Chavez apresentará Sócrates aos venezuelanos. Fora disto,
businesss, as usual.

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Num país excitante

Os 23 magníficos

Gostei da lista de convocados por Luís Felipe Scolari para o Euro 2008. Talvez não convocasse Petit, muito longe daquele Petit de outros tempos, e talvez escolhesse outro terceiro guarda-redes. Mas são pequenos detalhes de importância muito relativa e, aliás, o cheiro a frango até pode suprir a falta de uma canjinha para algum jogador mais indisposto. Mais importante que isso, as debilidades da selecção : no lado esquerdo da defesa, no distribuidor de jogo (Deco não atravessa um bom momento) e lá na frente, no centro do terreno, falta um Pauleta. Valha-nos o matador Ronaldo.

Guarda-redes
Quim – SL Benfica
Ricardo – Bétis de Sevilha
Rui Patrício – Sporting CP

Defesas
Bosingwa – FC Porto
Pepe – Real Madrid
Ricardo Carvalho - Chelsea
Paulo Ferreira – Chelsea
Miguel – Valência
Bruno Alves – FC Porto
Fernando Meira – Estugarda
Jorge Ribeiro – Boavista FC

Médios
Deco – Barcelona
Petit – SL Benfica
Raul Meireles – FC Porto
Miguel Veloso – Sporting CP
João Moutinho – Sporting CP

Avançados
Cristiano Ronaldo – Manchester
Nani – Manchester
Simão Sabrosa – Atlético de Madrid
Ricardo Quaresma – FC Porto
Nuno Gomes – S L Benfica
Hugo Almeida – Werder Bremen
Hélder Postiga – Panathinaikos

Mesmo à medida

O Correio da Manhã publica hoje uma sondagem encomendada pelo Governo sobre a aceitação das medidas propostas para a alteração da legislação laboral. Debrucemo-nos sobre cada questão.

1. Está ou não de acordo que se tome medidas para diminuir o número de pessoas pagas através de recibos verdes?

Sim: 75,2%
Não: 13,4%
Sem opinião: 11,4%

A grande maioria, cerca de três quartos, na qual eu me incluo, é favorável. Porém, não é este o aspecto onde reside a controvérsia. A questão deveria ser “Acha que é com um agravamento de 5% na taxa social única a pagar pelas entidades empregadoras que recorram aos recibos verdes que este se combate?” Se fizermos as contas, 5% vezes 12 meses dá 60% de um salário. Se compararmos este valor com o da situação alternativa de contratação para o quadro da empresa, temos que somar os dois salários que as empresas que recorrem a recibo verde não pagam (200%) aos 22,75% (da proposta) da taxa social única respectiva respeitante a um trabalhador no quadro multiplicado pelos 14 salários (318,5%). Dá 518,5%. Resulta óbvio que o recurso ao expediente dos recibos verdes continua a compensar largamente: precisamente 458,5% (518,5% - 60%). Poupa mais de quatro salários e meio.

2. Está de acordo com a criação de bolsas de trabalho por parte das empresas para ajustar os horários dos trabalhadores?

Sim: 52,2%
Não: 31,5%
Sem opinião: 10,6%

Novamente, a questão deveria ser bem outra: “está de acordo que as empresas deixem de pagar horas extraordinárias e que quem trabalha esteja à inteira disposição da entidade empregadora até ao limite de 10 horas diárias e 50 horas semanais sem que trabalhar mais horas signifique receber o que quer que seja por isso?” Esta é a questão fundamental e, mais do que entreter audiências e fazer o frete ao governo e aos seus patrões, competiria àqueles cuja função é informar desenvolver esta abordagem.


3. Acha que os sindicatos, o Governo e os patrões devem fazer um esforço para chegar a acordo?

Sim: 95,2%
Não: 1,4%
Sem opinião: 3,4%

Se não conseguirem chegar a acordo, acha que o Governo deve avançar na mesma com as alterações ao código laboral?

Sim: 45,2%
Não: 41,4%
Sem opinião: 13,4%

Duas questões, aliás como as anteriores, com dois objectivos claros: um, o de definir uma maioria que estimule o espírito de manada (“mas olhe que a maioria acha que sim”) e a aceitação e outro o de medir os custos eleitorais de uma posição de força. Não sei quem pagou a sondagem, mas, porque ela só serve como propaganda e barómetro eleitoral do Governo, tenho cá um palpite que ninguém se chateou que contasse para o défice. Pagamos nós.

Fazendo fé

“A fazer fé”. São estas as primeiras palavras de um artigo do Público sobre o rendimento declarado ao Tribunal Constitucional pelos 308 presidentes de câmara portugueses. Sem querer fazer qualquer apreciação a nenhum caso pessoal em particular, tenho que concordar que, de facto, sobre esta matéria, fazer fé é o máximo que pode ambicionar-se num país em que a tolerância ao “esquema” é inversamente proporcional à intolerância ao levantamento do sigilo bancário.

M&M: mitos e media

A gula do fisco e as penhoras à margem da lei atingiram proporções tais que o Provedor de Justiça convocou para um frente-a-frente os responsáveis da Direcção-Geral dos Impostos e da Associação Portuguesa de Bancos. Pelo menos por enquanto, a cobertura mediática que é dada ao encontro e o tratamento desta questão não incluem qualquer alusão ao génio da gestão responsável pela autoria do sistema de penhoras automáticas do fisco, nem tão pouco aos montantes dos reembolsos e das indemnizações que o Estado terá que pagar aos lesados. Preservam-se, assim, dois ícones da mitologia nacional: um super gestor e o milagre do sucesso do Governo no combate ao défice. (Ler aqui e aqui)

Liga 2007/08: Ufa! Acabou!

O FC Porto passeou a sua classe e foi um campeão inquestionável. O Sporting festejou o 2º lugar como se fosse campeão. O Guimarães, com um orçamento de brincadeirinha, conseguiu um brilhante 3º lugar na época seguinte à da sua promoção à I Liga. O Benfica conseguiu o 4º lugar, uma das suas piores classificações de sempre, com aquela equipa que, à partida, diziam ser a melhor dos últimos 10 anos. Marítimo e Setúbal acompanham-no na UEFA. E o Paços de Ferreira e a União de Leiria são despromovidos. Um campeonato que só deixa a saudade de Rui Costa, que abandona os relvados. Ufa, até que enfim! Nunca mais acabava! Acabou, pelo menos no que toca a futebol jogado.

Domingo, Maio 11, 2008

Orelhas de Burro

Otros Aires – “Sin Rumbo”

Sábado, Maio 10, 2008

Disfarcem, estão a ser filmados


O Expresso divulgou um documento elaborado pela Direcção de Planeamento e Controlo da ASAE, enviado às direcções regionais, fixando objectivos de resultados aos seus inspectores para este ano, segundo o qual cada inspector tem que detectar 124 infracções, levantar 61 processos de contra-ordenação que terminem em coimas, abrir oito processos-crime, fechar ou suspender o funcionamento de pelo menos seis estabelecimentos e, por instrução central, fazer, pelo menos, duas detenções de pessoas.

António Nunes, o inspector-geral da ASAE, apressou-se a negar a existência de objectivos quantificados por inspector relativos a contra-ordena